Funeral reúne aliados e rivais de Peres

Líderes como Barack Obama exaltam legado do ex-presidente de Israel e renovam apelo pela paz com palestinos. Cerimônia faz o que mediadores não conseguiram nos últimos anos: juntar Netanyahu e Abbas.O ex-presidente de Israel e Nobel da Paz Shimon Peres foi sepultado no cemitério do Monte Herzl, em Jerusalém, nesta sexta-feira (30/09), em cerimônia que contou com a presença de dezenas de chefes de Estado e de governo, como o presidente americano, Barack Obama, e o líder palestino Mahmoud Abbas. Em seu discurso, o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, qualificou Peres como "um grande homem do mundo". "O fato de tantos líderes terem vindo de várias partes do mundo dar adeus a Shimon é um atestado de otimismo, de busca pela paz e de seu amor por Israel e pelo povo de Israel", afirmou o premiê. "Shimon viveu uma vida com propósitos, foi um grande homem de Israel e um grande homem do mundo. Em seu legado, encontramos esperança." Entre aliados e rivais de Peres, dezenas de autoridades de todo o mundo estiveram em Jerusalém, sob proteção policial máxima, para participar da última homenagem ao Nobel da Paz de 1994, que morreu na quarta-feira, aos 93 anos. A cerimônia decorreu com orações, ritos funerários judaicos e uma canção interpretada pelo contratenor David D'Or, além de discursos dos três filhos de Peres, do escritor Amos Oz, de autoridades israelenses, do ex-presidente dos EUA Bill Clinton e, por fim, de Obama. Além deles, estavam presentes no funeral os presidentes da Alemanha, Joachim Gauck, da França, François Hollande, o príncipe Charles, do Reino Unido, o rei Filipe 6º da Espanha, assim como Abbas. A cerimônia reuniu Abbas e Netanyahu, algo que nenhum mediador conseguiu fazer nos últimos anos. O presidente da Autoridade Nacional Palestinae o premiê israelense cumprimentaram-se com um aperto de mão e conversaram brevemente pouco antes do início da cerimônia. De acordo com a edição digital do diário israelense Haaretz, Abbas disse a Netanyahu durante a saudação: "Já passou algum tempo desde o nosso último encontro", ao que o primeiro-ministro respondeu: "Agradeço muito que tenha vindo ao funeral." Na semana passada, na Assembleia Geral da ONU, Netanyahu exaltou o que chamou de relações cada vez melhores com seus vizinhos no Oriente Médio. Na cerimônia, porém, nenhum país árabe mandou seu chefe de Estado – nem mesmo Egito e Jordânia, que têm acordos de paz com Israel. "Um gigante do século 20" Obama disse que a presença de Abbas no funeral do estadista israelense é um lembrete às "inacabadas negociações de paz" no Oriente Médio. Em seu discurso de quase 20 minutos, Obama lembrou que Peres se esforçou por uma resolução do conflito entre israelenses e palestinos que tratasse ambos os lados de forma igualitária. "Mesmo em face de ataques terroristas, mesmo depois de repetidas decepções nas mesas de negociações, ele insistiu que, como seres humanos, os palestinos devem ser vistos como iguais em dignidade em relação aos judeus e, portanto, devem ser iguais na autodeterminação", disse. "De muitas maneiras, ele me lembrou alguns dos outros gigantes do século 20 que eu tive a honra de conhecer", prosseguiu Obama, nomeando o ex-líder sul-africano Nelson Mandela e a rainha do Reino Unido, Elizabeth 2ª. "Um otimista sonhador" Bill Clinton afirmou que Peres era um "sonhador e um grande campeão da humanidade" e rebateu as críticas de que o ex-presidente israelense perseguia um sonho utópico. "Seus críticos frequentemente afirmavam que ele era ingênuo, excessivamente um otimista sonhador", disse. "Eles estavam errados apenas sobre a parte do ingênuo." "Pelo resto de nossas vidas, sempre que a estrada pela qual viajamos leve a um beco sem saída, ou o bem que procuramos fazer atinge uma parede de pedra ou a mão da amizade que estendemos encontra apenas um olhar frio, em sua honra, peço que nos lembremos do sorriso radiante de Shimon Peres e 'Imagine'", concluiu Clinton, depois de contar uma história sobre Peres vendo pessoas cantando a famosa canção de John Lennon. Peres morreu na quarta-feira depois de ter sofrido um acidente vascular cerebral (AVC) em 13 de setembro, que o deixou hospitalizado desde então. Ele era o último sobrevivente da geração dos "pais fundadores" de Israel e foi um dos principais articuladores dos acordos de Oslo, assinados com os palestinos em 1993, o que lhe valeu a atribuição do Nobel da Paz em 1994. Ao longo de sua carreira política, Peres ocupou quase todos os mais importantes cargos políticos em Israel. Ele foi ministro de diversas pastas (do Exterior, das Comunicações, do Interior e do Desenvolvimento do Negev e da Galileia) em vários governos, foi três vezes primeiro-ministro (uma vez de forma interina) e uma vez presidente (2007 – 2014). PV/lusa/rtr/afp/ap

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