ELN insiste em negociar paz com governo colombiano

Segundo maior grupo guerrilheiro da Colômbia reafirma decisão de continuar diálogo com governo sobre a paz, mesmo após derrota nas urnas de acordo alcançado com as Farc.Apesar da derrota nas urnas do acordo alcançado com as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc), o Exército da Libertação Nacional (ELN), segundo maior grupo guerrilheiro da Colômbia, afirmou nesta terça-feira (04/10) que deseja dar início a fase pública dos diálogos de paz com o governo colombiano. "Neste difícil momento para a Colômbia, o ELN reafirma sua decisão irrevogável de passar para a fase pública e cumprir a agenda estipulada em março", escreveu o grupo no Twitter. Os guerrilheiros disseram que os resultados do plebiscito deixam claros os obstáculos para a paz, mas ressaltaram que seguem empenhados no diálogo com o governo. "Os tempos de paz não são ditados pelo governo e nem por insurgências, quem dita é a sociedade colombiana e há um claro apelo pela paz", acrescentou o ELN, pedindo ao presidente Juan Manuel Santos para superar as dificuldades. A opção pelo "não" foi a vencedora no plebiscito de domingo sobre o acordo de paz com as Farc, com 6.431.376 votos, 50,21% do total, enquanto o "sim" obteve 6.377.482, que correspondem a 49,78%. Na opinião do ELN, a vitória do "não" mostra a "força dos inimigos da paz". A guerrilha também destacou que, nessa consulta, mais de 62% da população apta a votar não compareceu às urnas, "o que revela a grave crise da democracia colombiana". Próxima fase Os contatos entre negociadores de Bogotá e o grupo tiveram início em 2014. No dia 30 de março, o ELN e o governo colombiano anunciaram em Caracas, na Venezuela, o início de uma fase pública de diálogos de paz, cuja abertura foi condicionada pelo Executivo, que exigia a solução de alguns "temas humanitários", como o fim dos sequestros. No entanto, até o momento essa fase pública não começou, já que o ELN não libertou todas as pessoas que mantém sequestradas. O ELN, inspirado na Revolução Cubana, teve origem em uma insurreição camponesa de 1964, semelhante às Farc, e ainda mobiliza cerca de 2 mil combatentes. O grupo guerrilheiro é considerado uma organização terrorista pela Europa e Estados Unidos. O complexo conflito armado colombiano se prolonga há mais de 50 anos e envolve guerrilhas de extrema-esquerda, paramilitares de extrema-direita e forças armadas, além de grupos ligados ao narcotráfico. Acredita-se que tenha deixado, até então, mais de 260 mil mortos, 45 mil desaparecidos e 6,6 milhões de deslocados. CN/efe/dpa

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