Opinião: Samsung vai sobreviver a escândalo

Henrik Böhme

Gigante sul-coreana enfrenta tempos difíceis com o fim das vendas do Galaxy Note 7 após relatos de incêndios de aparelhos. Mas isso nem de longe ameaça a existência da empresa, opina o jornalista Henrik Böhme.O smartphone, brinquedo predileto em nossos bolsos e bolsas – está com um problema. Ao menos o novo aparelho top de linha da líder mundial de mercado Samsung. Como a bateria embutida no Galaxy Note 7 é, aparentemente, grande demais, ela se aquece de forma tal que pode se incendiar. Isso é altamente desagradável, no bolso da calça e mais ainda dentro da bolsa. Mas é também muito perigoso. Tão ameaçador que empresas aéreas já estão proibindo seus passageiros de entrar com esse equipamento a bordo. É claro que o fim anunciado do Galaxy Note 7 significa um desastre sem precedentes para a Samsung, ao menos para a divisão de telefonia móvel da gigante sul-coreana. Em sua gama de produtos, ela oferece ainda navios, televisores e máquinas de lavar, como também atua na área de biotecnologia e na prestação de serviços financeiros, como seguros, por exemplo. Com quase 500 mil empregados, o faturamento da companhia corresponde a um quinto do Produto Interno Bruto da Coreia do Sul. A divisão de smartphones é importante, mas apenas uma parte da empresa, que vai sobreviver a tudo isso. Há 20 anos, quem na Alemanha conhecia o maior conglomerado da Península Coreana? Os primeiros celulares que apareceram por aqui foram motivo de risos. Mais tarde, com o início do triunfo dos smartphones, o mesmo aconteceu com os primeiros modelos da Samsung. Só era possível manuseá-los, se fosse o caso, com os dedos apontados. Hoje a Samsung vende a maioria dos smartphones em todo o mundo. Nas melhores épocas, a sua parcela de mercada superou os 30%. Hoje, um quinto das vendas mundiais ainda está nas mãos da empresa. O mesmo desenvolvimento aconteceu com os televisores. Na Alemanha, os aparelhos dos sul-coreanos são um sucesso de vendas já há bastante tempo. E agora este desastre altamente perigoso. Obviamente, isso pode custar à empresa a sua posição de liderança. E no caso de algum americano queimar seus dedos num chamejante Galaxy Note 7, isso pode sair bem caro para a companhia. Também é certo que: a Apple, a maior concorrente da Samsung nos EUA, vai lucrar muito pouco com tudo isso. Um perigo muito maior para a gigante sul-coreana são os fabricantes em massa provenientes da China, como Huawei, ZTE, HTC, Oppo ou Xiaomi. Pois, diferentemente da Apple, a Samsung não aposta somente em caros aparelhos de qualidade superior, mas também opera de forma especial no mercado de massa de países emergentes e em desenvolvimento. Agora, já existem aqueles que fazem comparações com o escândalo de emissão de poluentes da montadora alemã Volkswagen. De acordo com o lema: isso pode afetar, de repente, também outras empresas. Isso não chega a ser nem mesmo um fraco consolo, mas também está errado em muitos aspectos. É claro que multinacionais, como Samsung, Volks ou Toyota, que têm de conduzir há anos maciças ações de recall, são prejudicadas por tais escândalos. Mas ao contrário da Volks, que embutiu intencionalmente um software fraudado em seus carros a diesel, no caso do incêndio de baterias se trata de um erro técnico. É claro que os celulares poderiam ter sido testados mais detalhadamente, mas os sul-coreanos estavam, aparentemente, sob pressão de tempo para chegar ao mercado na mesma época que o novo aparelho top de linha da Apple, o iPhone 7. De qualquer forma, agora a Samsung foi suficientemente honesta para admitir que não vai conseguir resolver o problema da bateria e encerrou a produção. Enquanto a Volks ainda quer vender carros a diesel nos EUA. E ainda há um traço comum entre o escândalo de emissões da Volks e as baterias da Samsung: até hoje, a receita de vendas da montadora alemã não foi realmente prejudicada. O mesmo também vai acontecer com a empresa sul-coreana. E principalmente uma coisa resta: alvoroço demais em torno de alguns smartphones em chamas.

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