Mulheres acusam Trump de assédio sexual

Em reportagem do "The New York Times", duas mulheres relatam terem sido assediadas pelo candidato nos anos 1980 e 2000. Outros casos semelhantes vêm à tona, e campanha do magnata ameaça recorrer à Justiça por calúnia.Duas mulheres acusaram o candidato republicano à presidência dos EUA, Donald Trump, de assédio sexual numa reportagem publicada pelo jornal The New York Times (NYT) nesta quarta-feira (13/10). A revelação, que um porta-voz do magnata classificou de ficção, foi feita menos de uma semana após um vídeo com declarações sexistas do candidato vir à tona. Uma das mulheres, Jessica Leeds, de 74 anos, aparece num vídeo divulgado no site do NYT relatando que Trump apalpou seus seios e tentou colocar a mão sob sua saia num voo para Nova York, por volta de 1980. "Ele parecia um polvo. Suas mãos estavam por toda parte", conta Leeds. Ela disse não ter reclamado aos funcionários da companhia aérea na época porque abordagens do tipo por parte dos homens ocorriam com frequência no mundo dos negócios dos anos 1970 e início dos 1980. "Aceitamos isso durante anos. Nos ensinaram que isso era nossa culpa." A segunda mulher, Rachel Crooks, descreve como Trump a beijou na boca em 2005, diante de um elevador no edifício Trump Tower, em Manhattan. Ela tinha 22 anos e trabalhava como recepcionista de uma empresa do setor imobiliário. "Foi tão inapropriado. Fiquei tão chateada por ele pensar que eu era tão insignificante que ele podia fazer aquilo". Trump rechaçou as acusações, afirmando ao NYT que "nada disso aconteceu". A campanha do republicano negou haver qualquer veracidade nas informações publicadas pelo jornal e divulgou uma carta à publicação na qual Marc Kasowitz, advogado de Trump, exige uma retratação. Kasowitz classificou a reportagem de caluniosa e ameaçou recorrer à Justiça. "Essa reportagem inteira é ficção", afirmou também o principal conselheiro de comunicação da campanha do republicano, Jason Miller, em comunicado. Mais relatos Em poucas horas, uma série de outros meios de comunicação noticiaram casos semelhantes aos divulgados pelo NYT. A revista People publicou um relato detalhado em primeira pessoa de sua repórter Natasha Stoynoff. Ela diz que, em 2005, Trump a empurrou contra uma parede e a beijou enquanto ela lutava para se desvencilhar dele. O texto inclui uma declaração de uma porta-voz de Trump, que afirma que a reportagem é um "ficção politicamente motivada". O jornal Palm Beach Post, por sua vez, noticiou o caso de Mindy McGillivray, de 36 anos, que afirmou que Trump apalpou seu traseiro há 13 anos. Ela trabalhava, então, como assistente de fotógrafo na propriedade Mar-a-Lago do magnata, na Flórida. Num vídeo gravado em 2005 e divulgado pelo jornal The Washington Post na última sexta-feira, Trump se gaba, usando linguagem vulgar, de beijar, apalpar e tentar fazer sexo com mulheres, até mesmo casadas. Em sua defesa, o magnata disse no último debate com a rival democrata, Hillary Clinton, que respeita as mulheres e minimizou o vídeo, chamando o de "conversa de bastidores". A revelação fez com que uma série de republicano retirassem seu apoio ao candidato do partido, com muitos pedindo que ele abandonasse a corrida à Casa Branca. Uma pesquisa de opinião divulgada pela agência Reuters e pelo Instituto Ipsos nesta segunda-feira apontou que um em cada cinco republicanos acreditavam que os comentários sexistas de Trump o desqualificavam para exercer o cargo de presidente. Jennifer Palmieri, porta-voz da campanha de Hillary disse que as revelações feitas nesta quarta-feira são "perturbadoras". "Esses relatos sugerem que ele [Trump] mentiu no debate e que o comportamento repugnante do qual ele se gabou na gravação é mais do que apenas palavras", afirmou. Ao ser questionado no duelo televisivo do último domingo se havia cometido tais abusos mencionados no vídeo de 2005, Trump respondeu que não. LPF/ap/rtr/ots

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