"Lugar da minha mulher é na cozinha", diz presidente da Nigéria

Ao lado de Merkel em Berlim, Muhammadu Buhari causa polêmica ao rebater críticas da esposa sobre seu governo. Líder é repreendido nas redes socias, e porta-voz afirma que declaração não passou de senso de humor.O presidente da Nigéria, Muhammadu Buhari, causou polêmica nesta sexta-feira (14/10) ao rebater as críticas de sua mulher, Aisha Buhari, sobre sua liderança e afirmar que "o lugar dela é na cozinha", e não na política. A declaração foi feita ao lado da chanceler federal alemã, Angela Merkel, em Berlim. A primeira-dama, em entrevista à emissora BBC nesta sexta-feira, disse que não apoiará o marido nas eleições de 2019 – caso ele tente uma reeleição –, se Buhari não fizer mudanças em sua gestão. "O presidente não conhece 45 das 50 pessoas que nomeou [para o governo]. Eu também não as conheço, apesar de ser sua mulher há 27 anos", declarou Aisha, afirmando que o governo foi "desvirtuado por algumas pessoas". "Se as coisas continuarem assim, eu não vou fazer campanha de novo e pedir para que as mulheres votem nele, como eu fiz antes. Eu nunca farei isso novamente." Em coletiva de imprensa durante visita oficial à Alemanha, o presidente nigeriano foi questionado por uma jornalista sobre as declarações de sua esposa e rebateu: "Não sei a que partido político minha mulher pertence. Ela pertence à minha cozinha, à minha sala e aos demais cômodos da minha casa". Buhari ainda destacou que possui mais experiência política do que sua esposa e, por isso, reivindica "ter conhecimento superior a ela e ao resto da oposição", já que foi bem sucedido ao ser eleito presidente. "Não é fácil satisfazer todos os partidos da oposição nigeriana ou participar do governo." Merkel, que já havia elogiado os esforços da Nigéria na luta contra o terrorismo internacional e feito votos para a intensificação da cooperação bilateral, se conteve com um sorriso sem graça, enquanto o presidente discursava sobre o papel que, na sua visão, a primeira-dama deve desempenhar. Nas redes sociais, nigerianos criticaram as declarações do presidente sobre a esposa, classificando-as como misóginas e sexistas e comparando-o com o candidato à presidência americana Donald Trump. O porta-voz do governo, Mallam Garba Shehu, chegou a rebater as críticas, afirmando que Buhari respeita o papel da mulher na sociedade. "Meus amigos, um líder não pode mais ter senso de humor? O senhor presidente deu risadas antes dessa declaração ser feita", disse ele no Twitter. Neta do primeiro ministro da Defesa nigeriano, Aisha Buhari é mestra em relações internacionais e estudos estratégicos. Como primeira-dama, tem defendido os direitos humanos no país, como a saúde materna e infantil. Na eleição presidencial do ano passado, fez campanha vigorosa pelo marido. O presidente, por sua vez, é um ex-ditador militar, que comandou o país entre 1983 e 1985 após um golpe de Estado. Em Berlim, ao lado de Merkel, agradeceu a cooperação internacional no combate ao terrorismo e destacou que continuará lutando contra o grupo jihadista nigeriano Boko Haram, que em 2014 sequestrou mais de 200 meninas em Chibok, e pela liberação de todas as garotas. EK/ap/efe/afp/ots

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