Ataque a funeral no Iêmen resultou de informação errada, diz Arábia Saudita

Coalizão árabe culpa fonte ligada aos militares iemenitas pelo bombardeio que resultou na morte de 140 pessoas e deixou mais de 500 feridos, afirmando que ela disse haver líderes rebeldes houthis no local.Uma equipe de investigação da coalizão árabe que intervém no conflito interno do Iêmen anunciou neste sábado (15/10) que o bombardeio ocorrido no fim de semana passado, durante um funeral em Sanaa, ocorreu por causa de uma informação errada fornecida pelos militares iemenitas. O ataque na capital do país, que causou a morte de 140 pessoas e ferimentos em mais de 500, gerou protestos internacionais e levou até mesmo aliados ocidentais a criticarem a Arábia Saudita. A organização humanitária Human Rights Watch denunciou que o ataque pode ser considerado crime de guerra e, por isso, pedira uma investigação urgente sobre o ocorrido. Em comunicado divulgado pela agência de notícias SPA, da Arábia Saudita, a coalizão árabe afirmou que uma fonte ligada ao comando do Estado-Maior iemenita repassou uma informação sobre a presença de líderes rebeldes houthis que, mais tarde, mostrou-se estar errada. A fonte insistiu que o local era um alvo militar legítimo que deveria ser atacado imediatamente, segundo a nota da coalizão, que ressaltou que o ataque foi realizado sem instruções de seu comando. De acordo com o texto, não foram tomadas as medidas preventivas aprovadas pela coalizão, que tenta assegurar, antes de realizar suas ações, que os alvos de ataques não estão em áreas civis. A equipe de investigação indicou que o comando da coalizão lhe ofereceu "todas as informações e documentos requeridos" e denunciou que "outras partes" aproveitaram o ocorrido para "elevar o número de vítimas". Além disso, a equipe recomendou que sejam tomadas medidas legais para compensar de forma adequada os familiares das vítimas e os atingidos, e que as forças da coalizão revisem a aplicação das normas de combate aprovadas. A coalizão, que inicialmente negou qualquer responsabilidade, disse que aceita o resultado da investigação e que começou a implementar as alterações recomendadas. A coalizão árabe é apoiada pelos Estados Unidos e considera os rebeldes houthis representantes do Irã no Iêmen. Além de armas, os Estados Unidos colaboram com apoio logístico e reabastecimento aéreo de aeronaves. Após o ataque, a Casa Branca afirmou que vai rever seu apoio à coalizão, liderada pela Arábia Saudita, argumentando que não se trata de um "cheque em branco". O bombardeio foi executado contra uma salão de eventos onde acontecia o funeral da mãe do ministro do Interior dos rebeldes houthis, Jalal al-Ruishan. A guerra no Iêmen se intensificou em março de 2015, quando a coalizão militar integrada por países sunitas e liderada pela Arábia Saudita interveio diretamente em favor do presidente Abd Rabbuh Mansur al-Hadi, o único reconhecido pela comunidade internacional, e contra os rebeldes houthis. A aliança árabe bombardeou neste período áreas residenciais, hospitais e escolas, sendo a principal responsável pela maior parte das vítimas civis no conflito, segundo a ONU e organizações de direitos humanos. AS/efe/ap/afp

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