Surto de cólera é maior preocupação no Haiti, diz Médicos sem Fronteiras

Roberta Jansen

Furacão Matthew reduziu ainda mais a já precária capacidade de resposta e aumentou o número de pessoas sem acesso a água limpa e potável, elevando assim o risco de transmissão de doenças, afirma coordenador-geral da ONG.Depois da destruição provocada pelo furacão Matthew no Haiti, um surto de cólera é a maior preocupação das autoridades de saúde e das organizações humanitárias, segundo o coordenador-geral da Médicos Sem Fronteiras no país, Paul Brockmann. "A MSF e outras organizações médicas mantêm uma capacidade de resposta rápida em caso de surto, mas os efeitos do furacão reduziram ainda mais a capacidade de resposta haitiana em todas as áreas afetadas, o que aumenta o risco de doenças", afirma. Em entrevista à DW Brasil, Brockmann diz ainda que há muitos casos de infecções urinárias, febre e diarreia entgre as vítimas do furacão, que passou pelo Haiti no início de outubro e deixou mais de 500 mortos. Quase duas semanas depois, o cenário de destruição permanece praticamente inalterado, com pessoas dormindo pelas ruas ou nas ruínas que restaram de suas casas e falta de comida e até de água potável. Muitas áreas atingidas continuam isoladas e sem eletricidade. DW Brasil: O senhor poderia descrever a situação geral no país? As pessoas têm acesso a alimentos? Água potável? Paul Brockmann: As regiões mais afetadas ficam na costa da península de Tiburón, no sul do país, mas também há áreas no interior da península onde falta água potável e abrigo. É uma região onde os serviços de água e saneamento já eram insuficientes e onde os serviços de saúde já eram fracos e subfinanciados. Comunidades grandes e pequenas precisam urgentemente de água potável, saneamento (incluindo latrinas), reconstrução de casas, comida, assistência médica. E as necessidades vão continuar por algum tempo, com risco de surtos de cólera e subnutrição. Há o risco de um novo surto de cólera? A MSF têm monitorado e respondido a ocorrências de cólera em Porto Príncipe e em todo o país há vários anos. A temporada de pico da cólera é de outubro a dezembro ou janeiro. É comum que comunidades pequenas não tenham estrutura física necessária (leitos hospitalares), serviços de água e saneamento (água potável e latrinas seguras e acessíveis), nem material ou profissionais para responderem a esses picos. Por isso a MSF e outras organizações médicas mantêm a capacidade de resposta rápida em caso de surto. No entanto, os efeitos do furacão reduziram ainda mais a capacidade de resposta haitiana em todas as áreas afetadas – com a perda de vidas e casas, a destruição de infraestrutura e estradas, ao mesmo tempo em que aumentou tremendamente o número de pessoas sem acesso a água limpa e potável, o que eleva o risco de transmissão de doenças. Depois do furacão, abrimos um centro de tratamento de cólera em Port-à-Piment com 150 leitos. Até o dia 11 tínhamos recebido 87 pacientes. Além da cólera, que outras situações médicas preocupam vocês neste momento? Além dos casos de cólera, os profissionais de saúde têm atendido casos de ferimentos sofridos durante a passagem do furacão ou logo depois – principalmente nos pés e nas pernas de pessoas que caminharam por terrenos alagados. Há também infecções urinárias, febre e diarreia. Centros de saúde locais foram danificados pelo furacão. O principal hospital de Jéremie (um dos locais mais atingidos), por exemplo, ficou sem luz e sem eletricidade. A MSF está apoiando o hospital e operando uma clínica móvel na cidade. Em três dias, até a última quarta, 450 feridos foram tratados apenas nessa cidade. Em Petit Trou, dois centros de saúde locais também foram atingidos. A MSF também tem uma clínica móvel nessa cidade e já tratou de 400 pacientes.

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