Equador admite ter cortado internet de Assange

Embaixada equatoriana em Londres diz que restrição imposta ao fundador do Wikileaks respeita a "não ingerência" nos assuntos de outro país. Motivo seria vazamento de informações sobre Hillary Clinton.O governo do Equador admitiu nesta quarta-feira (19/10) que restringiu temporariamente o acesso à internet do fundador do portal Wikileaks, Julian Assange, asilado na embaixada do país em Londres há quatro anos. Na segunda-feira, o Wikileaks denunciou que o acesso de Assange à internet havia sido "interrompido deliberadamente". Citando "múltiplas fontes dos EUA", o portal afirma que o Equador acatou um pedido do secretário de Estado americano, John Kerry, para evitar a divulgação de informações confidenciais sobre a candidata democrata Hillary Clinton. Em comunicado, a embaixada afirmou que "o governo do Equador respeita o princípio de não ingerência nos assuntos de outros países, não interfere em processos eleitorais em curso, nem apoia nenhum candidato em especial". A embaixada afirma ainda que o "Wikileaks divulgou uma grande quantidade de documentos que têm impacto sobre a campanha eleitoral nos Estados Unidos" cujo conteúdo "é da responsabilidade do Wikileaks". Dessa forma, o país decidiu "restringir temporariamente o acesso a parte do seu sistema de comunicações em sua embaixada no Reino Unido". O Equador esclarece que concedeu asilo político a Assange em sua embaixada em razão dos "temores legítimos de perseguição política", devido a suas atividades como jornalista e fundador do Wikileaks. O Departamento de Estado americano negou que John Kerry tenha feito o pedido mencionado pelo Wikileaks. Apesar de admitir que suas preocupações com o portal já vêm de longa data, o órgão central da diplomacia americana afirmou que "qualquer sugestão de que o secretário Kerry ou o Departamento de Estado estivessem envolvidos no bloqueio ao Wikileaks são falsas". O Equador não mencionou diretamente o envolvimento de Kerry, mas afirmou que sua política externa "responde apenas a decisões soberanas e não cede a pressões de outros Estados". O país reiterou a decisão de conceder asilo a Assange e disse que "a restrição temporária não impede que a organização Wikileaks prossiga com suas atividades jornalísticas". Assange, asilado na embaixada equatoriana desde 2012, luta contra um pedido de extradição feito pela Suécia em razão de acusações de estupro, as quais ele nega. O fundador do Wikileaks teme que o governo sueco possa entregá-lo às autoridades dos EUA, onde seria julgado pelo vazamento de milhares de documentos confidenciais diplomáticos e militares em 2010. RC/lusa/afp

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