Três exemplos de boa prática arquitetônica em São Paulo

Carlos Albuquerque

No contexto da conferência da ONU que vai definir a Nova Agenda Urbana para as cidades do novo milênio, a DW selecionou três projetos que ajudam a maior metrópole das Américas a ficar mais justa, livre e democrática.Quito recebe desde segunda-feira (17/10) a conferência da ONU Habitat 3, que define a Nova Agenda Urbana e as visões para uma cidade mais justa, livre e democrática no novo milênio. Aproveitando a ocasião, a DW selecionou três exemplos de boa prática em Arquitetura e Urbanismo na cidade de São Paulo, maior metrópole do Brasil e das Américas. Corredor Verde e Jardins Verticais Depois que a Lei Cidade Limpa entrou em vigor em janeiro de 2007, proibindo propagandas em outdoors e regulando o tamanho de letreiros e placas, foram reveladas centenas de empenas cegas na capital paulista. Após um estudo que catalogou mais de 500 dessas paredes externas de edifícios, o urbanista Guil Blanche notou que a maioria se encontrava em grandes avenidas, principalmente ao longo do Elevado João Goulart, conhecido popularmente como Minhocão. Em 2013, Blanche idealizou o Movimento 90°. "A paisagem de São Paulo é formada pela forte presença de prédios e empenas cegas. A técnica consolidada de jardins verticais permite que cada parede se torne um parque público para a cidade. Esses projetos podem ser suporte para o trabalho de artistas. Ou seja, além de melhorar a condição ambiental, também trazemos um importante elemento cultural: cada jardim de escala urbana é sempre pensado por um artista contemporâneo.", explica Blanche no site do Movimento 90°. Com o apoio da prefeitura de São Paulo à iniciativa de Blanche, os jardins verticais se tornaram um novo instrumento de compensação, ou seja, empresas podem amortizar dívidas ambientais através do financiamento desses jardins. A partir de então, iniciou-se a construção do primeiro corredor verde do mundo ao longo da extensão do Minhocão, onde existem 140 empenas cegas. Nesse contexto, o Movimento 90° criou o projeto do Corredor Verde do Minhocão em 2013. Seis jardins verticais já foram inaugurados ao longo da via, quatro outros deverão ficar prontos até o fim de 2016. Para o projeto do Edifício Santa Filomena, que se vê na foto acima, o artista Pedro Wirz explorou, em seu jardim, o universo das carrancas como objeto de proteção e vigilância. Casa na Vila Matilde Este imóvel na Vila Matilde, na zona leste de São Paulo, foi um dos 14 agraciados de 2016 com o renomado prêmio internacional Building of the Year (Edifício do Ano), promovido pela plataforma de arquitetura Archdaily. O projeto é assinado pelo escritório de arquitetura paulistano Terra e Tuma Arquitetos. A residência pertence a Dona Dalva, que há décadas mora na Vila Matilde. Em 2011, o filho dela sondou o escritório de arquitetura sobre a possibilidade de um projeto para a casa de sua mãe. A primeira solução era vender a residência em que morava e que apresentava sérios problemas de estrutura e salubridade. Mas o dinheiro da venda e de algumas economias só daria para comprar um pequeno apartamento numa região mais afastada. Decidiu-se então ficar, e o escritório assumiu o desafio de fazer um projeto, adequando-o aos restritos recursos financeiros da família. Implantado num lote de 4,8 metros de largura por 25 metros de profundidade e construído todo em blocos de concreto aparente, o imóvel custou 150 mil reais, possui 95 metros quadrados de área construída e ficou pronto em 2014. Ele abriga dois quartos, cozinha, sala de TV e jantar, como também garagem, além de pátio interno e laje de cobertura. Segundo o escritório, trata-se de uma "solução simples, resultado de um processo longo, complexo e gratificante." Parklets e as minipraças A ideia dos parklets surgiu em 2005 nos EUA, com o objetivo de ampliar e distribuir a oferta de espaços públicos de convivência. No Brasil, o primeiro parklet foi instalado em 2013. Basicamente, trata-se de minipraças no espaço onde antes havia uma ou duas vagas de estacionamento e que passam a ser ocupadas por bancos, cadeiras, mesas, floreiras, jardins, guarda-sóis e aparelhos para a prática de exercícios físicos. Considerados prolongamento das calçadas, os parklets ocupam até 10 metros de extensão por 2 metros de largura. Em dezembro de 2015, a Prefeitura de São Paulo lançou um projeto para a instalação de um parklet municipal em cada uma das 32 subprefeituras da cidade até o fim deste ano. Além dos equipamentos municipais, outros 55 foram implantados pela iniciativa privada em regiões comerciais e gastronômicas para democratizar o espaço da rua. O parklet é uma alternativa rápida e eficaz para áreas desprovidas de espaços públicos. Os custos de instalação, manutenção e remoção são de responsabilidade do mantenedor. Isso tem levado, no entanto, a que bares e restaurantes estejam tratando os parklets como extensão de seus negócios. Apesar de proibido por lei, alguns deles servem bebidas e comidas nas mesinhas, privatizando os espaços de convívio público.

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