Bundestag debate impeachment de Dilma

Clarissa Neher

Partido A Esquerda pede que parlamento alemão repudie cassação de Dilma Rousseff. Apenas CDU é contra moção. Deputado da União diz que avaliação não cabe ao Bundestag, porém reconhece controvérsia de processo.O Bundestag (Parlamento alemão) debateu nesta quinta-feira (20/10) o processo de impeachment de Dilma Rousseff, com base numa moção apresentada pelo partido A Esquerda, que pede à Casa para repudiar a cassação da ex-presidente. O deputado da legenda A Esquerda Wolfgang Gehrcke abriu o debate e classificou de golpe o impeachment de Dilma. "O novo presidente, que considero ilegal, anunciou primeiramente o congelamento das despesas públicas por 20 anos e, dessa maneira, economizará com educação e direitos sociais mais de centenas de bilhões", destacou, acrescentando que a medida atingirá principalmente os mais pobres e necessitados. Ao discursar pela União Democrata Cristã (CDU), Andreas Nick ressaltou a crise econômica no Brasil e a importância do país com parceiro da Alemanha, inclusive durante os governos do PT. O parlamentar lembrou que Dilma perdeu a popularidade entre os eleitores no Brasil e a base no Congresso, o que justificaria o seu afastamento em países como a Alemanha. Nick reconheceu, porém, que os crimes que justificaram o impeachment são controversos, "mas o Bundestag não é o lugar apropriado para um seminário avançado sobre a Constituição brasileira", afirmou, sob aplausos dos deputados da CDU presentes na sessão. O parlamentar ressaltou que não cabe ao governo alemão assumir a função do Supremo Tribunal Federal e que a decisão do Congresso brasileiro deve ser respeitada. Conspiração política Em seu discurso, o deputado do Partido Verde Omid Nouripor lembrou que o governo de Dilma cometeu muitos erros, mas ressaltou que, durante os anos que o PT esteve no poder, houve muitos avanços, como no combate à pobreza e em direitos para as minorias. "Todos esses avanços estão em jogo com o novo governo", disse Nouripor. "Não vou usar a palavra golpe, mas com certeza [o impeachment] foi uma conspiração motivada politicamente", acrescentou. O deputado afirmou que o Brasil enfrenta a retomada do poder pelas antigas elites. "Isso se percebe na própria constituição do gabinete do novo governo, formado apenas por homens brancos e velhos, sem nenhuma mulher e nenhum indígena", reforçou. O último a discursar foi Klaus Barthel, do Partido Social-Democrata (SPD), que também classificou de golpe a destituição de Dilma. "Um impeachment só é possível quando o presidente cometeu um crime grave, mas esse foi um processo conduzido por interesses políticos", disse. "Dilma Rousseff é muito mais íntegra do que maioria daqueles que foram contra ela", afirmou, ressaltando que Eduardo Cunha, o arquiteto do impeachment, foi preso nesta quarta-feira. Barthel também criticou o papel de empresas alemãs no Brasil, que se animaram com a eminente diminuição dos direitos trabalhistas no país. Com a maioria dos deputados a favor da moção da legenda A Esquerda, o requerimento foi enviado para ser avaliado pela Comissão de Relações Exteriores do Bundestag.

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