1973: Morre violoncelista Pablo Casals

Catrin Möderler (sv)

No dia 22 de outubro de 1973 morreu o violoncelista catalão Pablo Casals. O músico havia revolucionado o manuseio do violoncelo.Interpretações da música de Johann Sebastian Bach ao violoncelo ficaram durante dois séculos fadadas ao esquecimento, até serem redescobertas por um músico catalão. Um gênio e cidadão do mundo, que lutou durante toda sua vida pela paz e pela liberdade. E para muitos, o maior violoncelista de todos os tempos: Pablo Casals. Quando Johannes Brahms compôs sua Sonata para Violoncelo op. 99, Pablo Casals tinha 10 anos de idade. Nascido no povoado catalão de Vendrell, Casals tornou-se, no decorrer da sua vida quase centenária, um mediador entre os séculos 19 e 20, entre o romantismo tardio e a era moderna, entre a arte e o homem. Em suas próprias palavras, "a música, essa linguagem universal maravilhosa, entendida por todos, deveria ser também uma fonte de melhor entendimento entre os homens. Por essa razão, quero fazer um apelo aos meus colegas músicos de todo o mundo, pedindo a cada um deles que coloque a pureza da arte a serviço da humanidade, pois assim estarão contribuindo para o surgimento de relações fraternas entre os homens". Multitalento Os pais de Casals, ambos músicos, incentivaram o filho desde a infância no ofício musical. Pablo tocou com virtuosismo piano, órgão, violino e flauta, mas somente aos 11 anos é que veio a encontrar o instrumento ao qual se dedicaria por toda a vida. Ao ouvir um concerto de um trio de cordas, Casals fascinou-se pelo violoncelo. Seus pais lhe proporcionaram aulas do instrumento e, um ano depois, aos 12 anos de idade, o jovem músico já ganhava a vida como violoncelista em apresentações em bares e cafés na Espanha. O compositor Issac Albeniz descobriu o talento de Casals, tendo intermediado sua formação profissional no Conservatório de Madri e seus primeiros grandes concertos. Por volta de 1900, o intérprete catalão já tinha fama mundial como um talento excepcional e um virtuose do violoncelo. Casals revolucionou o manuseio de um instrumento que até então servia apenas ao acompanhamento, desenvolvendo uma nova técnica de arco e dedilhado, que transformou o violoncelo em um instrumento solo. O dirigente Wilhelm Furtwängler declarou certa vez que "quem nunca ouviu Casals, não sabe como um instrumento de cordas pode soar". Defensor da liberdade Pablo Casals nunca foi, no entanto, apenas um músico de talento. Mais do que isso, o intérprete exemplar foi um lutador apaixonado por valores como a liberdade e a igualdade. Lenin e o stalinismo, Mussolini, a Alemanha de Hitler e a ditadura de Franco o levaram a isolar-se voluntariamente em Prades, um povoado nos Pirineus. Por várias décadas, Casals não participou de nenhum concerto. Somente a partir dos anos 50 é que o violoncelista voltou aos palcos do mundo como intérprete e também regente. Todos os concertos feitos por ele a partir de então estiveram explicitamente "a serviço da paz e do entendimento entre os povos". Sua grande visão acabou, porém, apenas em sonho: "O Hino à Alegria da 9ª sinfonia de Beethoven tornou-se o símbolo do amor entre os homens. Eu sugiro, por isso, que toda cidade que dispõe de uma orquestra e um coro execute essa obra em um mesmo dia, transmitindo-a por ondas radiofônicas aos menores povoados e aos cantos mais distantes desse mundo, como uma nova oração. Uma oração pela paz, pela qual todos nós tanto ansiamos e há tanto tempo esperamos". No dia 22 de outubro de 1973, Pablo Casals morreu aos 97 anos. Na memória coletiva, ele continuou, no entanto, imortal. Tanto como grande músico quanto como grande homem.

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