Alemanha e Brasil fecham acordo sobre mineração

Roberta Jansen

Instituto alemão de geociências firma parceria com Companhia de Pesquisa de Recursos Minerais, do Brasil, possibilitando o emprego de técnicas de extração menos poluentes e mais eficientes.A Alemanha firmou na sexta-feira (24/10) uma parceria com o Brasil no campo da mineração. A ideia é que os alemães ajudem os brasileiros com técnicas mais eficientes e ambientalmente corretas, visando à compra de produtos brutos ou manufaturados mais à frente. O acordo foi assinado entre a Companhia de Pesquisa de Recursos Minerais (CPRM) do Brasil e o Instituto Federal de Geociências e Recursos Naturais da Alemanha, em cerimônia realizada no Rio de Janeiro. O primeiro projeto conjunto será em Rondônia, numa região com potencial para exploração de ouro, cassiterita e outros minerais. "Não há mineração na Alemanha, e temos muito poucas refinarias para processar minerais", explicou o geólogo Peter Buchholz, da Agência Alemã de Recursos Minerais. "Então temos que cooperar com países que têm o material e que também tenham capacidade de manufaturar produtos." Segundo Buchholz, a ideia central do acordo é que especialistas brasileiros e alemães avaliem juntos os depósitos minerais do país – a começar por Rondônia – buscando formas de interação entre as duas indústrias. "Achamos que a tecnologia alemã traz boas possibilidades para tornar o setor mais sustentável tanto do ponto de vista ambiental quanto social", disse o geólogo. A mineração é considerada uma das atividades mais poluentes e impactantes ao meio ambiente. Novas tecnologias, no entanto, podem reduzir esse impacto, seja por meio de técnicas mais "limpas" ou mais eficientes, em que o aproveitamento é maior. Extração mais eficiente e rentável Não se conseguia, por exemplo, extrair estanho em volumes pequenos de minerais e, por isso, muito era descartado. Hoje, já se pode voltar ao que antes era descartado para a extração do metal mesmo em quantidades mínimas. Isso acontece também com o ouro e o cobre. Ou seja, além de se tratar de uma solução ambiental, é também uma oportunidade econômica. "Cada vez mais as minas têm teores mais baixos de minérios", explicou o diretor presidente da CPMR, Eduardo Ledshan. "Precisamos de tecnologia para tornar essa extração mais eficiente e mais rentável" O Brasil tem também importantes jazidas dos chamados metais de terras raras – elementos químicos usados em ligas de alta tecnologia presentes, por exemplo, em computadores e supercondutores. Esses metais, no entanto, são mais difíceis de minerar e extrair e, por isso, são muito mais caros. Tentar baratear essa produção, de grande importância estratégica, é outro dos objetivos do Brasil. Outro exemplo diz respeito ao uso de água na mineração. Quanto menos água for necessária, menos barragens precisam ser construídas e, portanto, há menos impacto ambiental. Técnicos dos dois países estão elaborando também uma parceria para avaliar a geologia marinha da costa brasileira, onde há jazidas de grande potencial de exploração.

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