Para 70% dos brasileiros, polícia exagera no uso da violência

Estudo do Datafolha encomendado pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública revela também que maioria da população concorda que "bandido bom é bandido morto" e acredita que policiais não têm boas condições de trabalho.Um levantamento divulgado nesta quarta-feira (02/11) aponta que 70% da população brasileira sente que os policiais cometem excessos de violência durante o exercício de sua função. Entre jovens com idade entre 16 e 24 anos, o percentual chega a 75%. O estudo, realizado pelo instituto Datafolha sob encomenda do Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP), revela também que 53% dos brasileiros (60% dos jovens de 16 a 24 anos) têm medo de ser vítima de violência por parte da polícia civil, e 59% (67% dos jovens de 16 a 24 anos) temem ser agredidos por policiais militares. Os dados apresentados mostram ainda que 63% dos cidadãos acreditam que as polícias não têm boas condições de trabalho. Contudo, 52% afirmam que a polícia civil faz um bom trabalho esclarecendo crimes, e 50%, que a polícia militar garante a segurança da população. "O fato de mais brasileiros terem medo de serem agredidos pelas polícias do que aqueles que consideram o seu trabalho eficiente é um forte indicativo de que precisamos repensar o modelo de atuação vigente, aproximando os policiais da população", alertou Renato Sérgio de Lima, diretor-presidente do FBSP. Segundo Lima, a reformulação do modelo de segurança brasileiro é necessária para que "a população se sinta mais segura" e para que "o policial se sinta mais valorizado e não precise, por exemplo, esconder a farda para voltar do trabalho para casa, com medo de ser assassinado". "Bandido bom é bandido morto" A pesquisa destaca também que a maioria dos brasileiros (64%) acredita que os policiais civis e militares são caçados pelos criminosos. De acordo com dados do anuário do FBSP, 393 policiais foram mortos em 2015. Além disso, a máxima "bandido bom é bandido morto" também foi analisada pelo estudo, que verificou que a maioria das pessoas concorda com esse pensamento, chegando a 57% no total dos cidadãos entrevistados. De acordo com o estudo, essa ideia "certamente influencia o comportamento dos policiais, que, da mesma forma que morrem em níveis inaceitáveis, com uma quantidade que representa o dobro de mortes em relação aos policiais dos Estados Unidos, também matam muito". Mortes durante intervenção policial A taxa de mortes resultantes de intervenção policial no Brasil é de 1,6 para cada 100 mil habitantes, enquanto que em Honduras, país mais violento do mundo, esse número é de 1,2 mortes, aponta o FBSP. "Ainda acreditamos que a violência do criminoso justifica a violência do Estado e caímos na armadilha de fazer uso da mesma linguagem do crime, confundindo papéis e erodindo a confiança nas instituições", comentou Samira Bueno, diretora-executiva do FBSP. A pesquisa, realizada no mês de agosto, ouviu 3.625 pessoas em 217 municípios, e a margem de erro máximo é de dois pontos percentuais. As informações fazem parte do 10.° Anuário Brasileiro de Segurança Pública, que será lançado nesta quinta-feira. TMS/lusa/ots

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