RSF lista Erdogan como "inimigo da liberdade de imprensa"

ONG Repórteres sem Fronteiras lança alerta sobre situação da mídia na Turquia. Governo prendeu mais de 200 jornalistas e fechou mais de 120 órgãos de imprensa desde tentativa de golpe de Estado no país.Em relatório divulgado nesta quarta-feira (02/11), a organização Repórteres sem Fronteiras (RSF) denunciou o presidente da Turquia, Recep Tayyip Erdogan, pelo tratamento dado aos jornalistas em seu país, após a prisão de mais de 200 profissionais e o fechamento de mais de 120 órgãos de imprensa. No documento, que lista 35 líderes internacionais e organizações como "inimigos da liberdade de imprensa", a RSF afirma que Erdogan aprecia que os órgãos de imprensa de seu país adotem uma postura "submissa e dócil" e que exaltem as políticas de seu governo. Após a fracassada tentativa de golpe de Estado na Turquia, em julho, o governo iniciou uma forte repressão aos jornalistas, agravando ainda mais a situação da liberdade de imprensa no país. Dos mais de 200 jornalistas presos, 125 ainda estão sob custódia das autoridades. Ao menos 124 órgãos de imprensa foram fechados por decreto. Nesta segunda-feira, o jornal turco de oposição Cumhuriyet foi alvo de uma batida policial que resultou na prisão de 13 de seus funcionários, entre eles, o editor-chefe Murat Sabuncu. A ação foi alvo de críticas mundo afora. Os diretores do Cumhuriyet são acusados de serem membros do banido Partido dos Trabalhadores do Curdistão (PKK) e da confraria islamita de Fethullah Gülen, clérigo radicado nos Estados Unidos a quem é atribuído o fracassado golpe de Estado de julho. O jornal nega as acusações e critica as detenções como "inaceitáveis e inconstitucionais". A RSF afirma que Erdogan oculta seu totalitarismo agressivo "sob uma fachada de democracia". Novos nomes O presidente turco é um dos novos nomes na lista da RSF, juntamente com o rei Salman da Arábia Saudita, os presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, e do Burundi, Pierre Nkurunziza. Os líderes da China, Xi Jinping, da Rússia, Vladimir Putin, e norte-coreano, Kim Jong-un, também são mencionados no relatório de 2016 da RSF. "Os vários nomes novos demonstram que homens-fortes e extremistas de todos os tipos ainda acreditam que podem sair ilesos da opressão à imprensa livre", afirmou um porta-voz da RSF. "Alguns governantes têm processado, torturado ou matado impunemente jornalistas críticos durante décadas." A organização também publicou uma petição para exigir que o governo da Alemanha e a Comissão Europeia reajam às medidas repressivas adotadas por Ancara, pedindo o processamento urgente de pedidos de visto de jornalistas ameaçados. O porta-voz do governo alemão, Steffen Seibert, afirmou que Berlim não discute possíveis sanções contra Ancara, mas diz que o país tem "sérias dúvidas" se as ações do governo turco contra Sabuncu e seus colegas do Cumhuriyet estariam "alinhadas com os princípios do Estado de direito". Também nesta quarta-feira, a Unesco divulgou um relatório afirmando que 115 jornalistas morreram no exercício da profissão em 2015. A agência da ONU contabilizou 827 mortes entre 2006 e 2015. A Unesco afirma que as estatísticas não cobrem "outras numerosas violações sofridas pelos jornalistas, que incluem sequestros, detenções arbitrárias, tortura, intimidações e perseguições". RC/dpa/epd/rtr

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