Turquia prende líderes de partido pró-curdo

Selahattin Demirtas e Figen Yüksekdag, do HDP, são presos durante operação policial na Turquia por suposto apoio a ações terroristas. Erdogan acusa partido de ser extensão política do PKK. Deputados também são detidos.A polícia da Turquia deteve na madrugada desta sexta-feira (04/11) os dois líderes do Partido Democrático dos Povos (HDP), pró-curdo, no âmbito de uma investigação sobre terrorismo envolvendo o Partido dos Trabalhadores do Curdistão (PKK), informou a imprensa local. De acordo com a agência de notícias estatal turca Anadolu, Selahattin Demirtas foi preso em casa, na cidade de Diarbaquir, sudeste do país, enquanto Figen Yüksekdag foi detida em Ancara. Vídeos das operações policiais nessas e em outras cidades foram divulgados pelo HDP nas redes sociais. Os líderes são acusados pelas autoridades turcas, em dois diferentes processos, de fazer propaganda terrorista a favor do PKK. Segundo a Anadolu, a prisão foi realizada porque Demirtas e Yüksekdag teriam se recusado a comparecer diante dos procuradores para prestar depoimento sobre o caso. De acordo com a agência de notícias Efe, a polícia turca realizou operações simultâneas em várias cidades, a maioria no sudeste do país, detendo ainda vários deputados, além do ator e roteirista Sirri Süreyya Önder, figura emblemática na esquerda turca, que teria sido preso na capital Ancara. A emissora NTV, citando declarações do Ministério do Interior turco, afirmou que onze deputados do HDP foram presos nesta sexta-feira. A Reuters, por outro lado, citou a prisão de pelo menos 13 parlamentares do partido, segundo depoimento de advogados da legenda à agência de notícias. O presidente turco, Recep Tayyip Erdogan, acusa o HDP de ser uma extensão política do PKK, considerado um grupo terrorista por Ancara. A legenda pró-curda vem negando essa acusação. O Partido Democrático dos Povos é a terceira maior força no Parlamento da Turquia, com 59 parlamentares. Neste ano, os deputados do partido perderam sua imunidade parlamentar após proposta apresentada pelo partido governista, AKP, na tentativa de suprimir a oposição. Após a fracassada tentativa de golpe de Estado, em julho, o governo turco iniciou uma forte repressão contra órgãos, grupos e pessoas que, segundo Ancara, podem ter ligação com Fethullah Gülen, clérigo radicado nos EUA. A Turquia o acusa de ter orquestrado a tentativa de golpe, mas ele nega. A imprensa turca também vem sendo duramente repreendida pelo governo. Nesta semana, o jornal de oposição Cumhuriyet foi alvo de uma batida policial que resultou na prisão de 13 de seus funcionários, entre eles, o editor-chefe Murat Sabuncu. A ação foi criticada mundo afora. Erdogan, nesta quarta-feira, foi listado pela ONG Repórteres sem Fronteiras como "inimigo da liberdade de imprensa". EK/dpa/efe/rtr/afp

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