Acordo do clima entra em vigor: o que esperar?

Gero Rueter

A partir de agora passa a valer o documento aprovado na Conferência do Clima em Paris, no ano passado. Todos os países signatários terão de implementar as metas do pacto ambiental. Veja o que deve mudar.Entrou em vigor oficialmente nesta sexta-feira (04/11) o acordo climático de paris, o que eleva a pressão para que os 195 países signatários comecem a executar os planos de redução das emissões de gases do efeito estufa para limitar o aquecimento global. Na Conferência das Nações Unidas sobre as Mudanças Climáticas (COP21), realizada há cerca de um ano em Paris, ficou determinado que, em relação à era pré-industrial, se buscaria limitar o aumento da temperatura abaixo dos 2°C, de preferência para menos de 1,5°C. Até o início de novembro, 94 países haviam ratificado o acordo da ONU, incluindo os maiores poluidores EUA, China e União Europeia (UE). Os requisitos básicos para a entrada em vigor do pacto global foram, assim, preenchidos. A ratificação em tão curto espaço de tempo por parte de tantos países é considerada histórica e representa um divisor de águas na política climática. Objetivo Para que o aquecimento global seja limitado, preferencialmente a 1,5°C, as emissões de gases-estufa precisam cair muito rapidamente. Nocivo ao clima, o dióxido de carbono é liberado pela queima de combustíveis fósseis e pelo desmatamento de florestas. Os gases-estufa óxido nitroso e metano provêm da utilização intensa de fertilizantes e da produção de carne na agroindústria. Para limitar o aumento global de temperatura a, no máximo, 2°C, é preciso encerrar a produção de energia através do carvão, óleo e gás natural o mais tardar até 2050 e para se chegar a um aquecimento inferior a 1,5°C, a desistência dos combustíveis fósseis deve acontecer alguns anos antes. Da mesma forma, as emissões de gases do efeito estufa provenientes da agricultura precisam ser reduzidas por meio do uso de menos fertilizantes químicos e uma menor produção de carne. Navegação e aviação No entanto, estão excluídas do Acordo de Paris a aviação e a navegação internacionais. A parcela do tráfego aéreo nas emissões de gases do efeito estufa se encontra, atualmente, acima dos 5% e, segundo os prognósticos, deverá dobrar nas próximas duas décadas. Por sua vez, o impacto da navegação internacional nas mudanças climáticas gira em torno dos três por cento. Compromisso Com o acordo climático da ONU, os países se comprometeram a reduzir suas emissões de gases-estufa. Agora, eles precisam implementar as metas nacionais que eles mesmos propuseram e tomar as medidas adequadas. Todos os cincos anos, os resultados serão avaliados. Não estão previstas, no entanto, sanções para o não cumprimento das metas. Para limitar o aquecimento global a 1,5°C ou 2°C, as metas de redução dos países individuais não são suficientes. Caso os objetivos sejam alcançados como previstos, neste século, a temperatura do planeta irá aumentar ainda em 3°C. A principal causa das mudanças climáticas são os países industriais com suas elevadas emissões já há mais de cem anos. A partir de 2020, os países mais desfavorecidos deverão receber 100 bilhões de dólares para suas ações de proteção climática e para que possam expandir seu fornecimento energético. Desafio O principal desafio está na desistência rápida dos combustíveis fósseis, na transição para tecnologias verdes e na eficiência energética. O secretariado do clima na ONU considera ser possível que, nos próximos anos, chegue-se a uma dinâmica que incentive os países a se tornar mais ambiciosos quanto à proteção climática. Com a ambição adequada, os objetivos climáticos acordados ainda podem ser alcançados, segundo as previsões dos cientistas. Com um aumento de temperatura de "somente" 1,5°C, alguns recifes de coral ainda poderiam ser salvos, e o nível dos oceanos se elevaria em "somente" 40 centímetros até o ano 2100. No caso de um aumento de temperatura de 2°C, todos os recifes de coral estariam ameaçados de extinção. Nos trópicos e na região do Mediterrâneo, as perdas nas colheitas de cereais somariam 20% em relação à produção atual. Até o ano 2100, a elevação do nível dos oceanos giraria em torno dos 50 centímetros e, com a continuidade do degelo das calotas polares até o ano 2300, por volta de dois a três metros.

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