Checkpoint Berlim: Cidade dos ratos

Clarissa Neher

Na capital alemã, existe quase um rato por habitante. Para tentar libertar a cidade da invasão roedora, a prefeitura se transforma no "Flautista de Hamelin$escape.getQuote().Berlim não é apenas adorada por humanos, os ratos também se sentem confortáveis por aqui. De tão bem instalados, sua "população" chegou a 2,2 milhões, segundo um estudo da empresa de saneamento da capital alemã, Berliner Wasserbetriebe. Ao considerar que na capital vivem 3,5 milhões de pessoas, a proporção de roedores é de 0,6 por habitante. É como se quase cada morador possuísse um ratinho de estimação. Os ratos, que não são bobos, preferem morar em bairros centrais, onde a vida é bem mais fácil, e a comida, abundante. Diferente da periferia, que não tem tantas lanchonetes e onde a concentração de pessoas, que produzem lixo, é menor. Os distritos preferidos dos roedores são Friedrichshain-Kreuzberg, Mitte e Marzahn-Hellersdorf. Mas, diferente dos cachorros ou animais selvagens que habitam a capital alemã, os roedores não contam com a simpatia humana. Enquanto coelhos, raposas e guaxinins podem levar uma vida tranquila em Berlim, os ratos são duramente perseguidos. Assim, a prefeitura assume o papel do Flautista de Hamelin, o exterminador de ratos do conto dos Irmãos Grimm. Nessa missão, interdita praças e parquinhos para crianças, para que especialistas combatam a invasão. A duração dessa operação de extermínio varia de local para local. Uma praça em Prenzlauer Berg, que foi alvo de uma destas missões no início desta semana, deverá ficar interditada por um mês. O ataque a moradores indesejáveis cresceu nos últimos anos. Em 2015 foram conduzidas 8.654 operações deste tipo na cidade – cerca de 1,2 mil casos a mais do que no ano anterior. Apesar do combate, o estudo da empresa de saneamento revelou que a quantidade de ratos permanece estável, após oscilações sazonais. A prefeitura pede ajuda aos humanos para acabar com os ratos, dificultando seu acesso à comida, e recomenda que a população evite jogar restos de alimentos em lixeiras abertas ou deixar sacos de lixo a céu aberto. Além disso, pede a delação. Segundo o Departamento Estadual de Saúde e Assuntos Sociais, é obrigação de cada cidadão que avistar um rato comunicar essa presença às autoridades. Não faço ideia de como funciona esse sistema de denúncia, mas acho que, se os habitantes de Berlim levassem realmente a sério essa obrigação, a prefeitura teria que criar um call center para registrar todas as aparições. Encontrar ratos perambulando pela cidade é algo bem comum. Clarissa Neher é jornalista freelancer na DW Brasil e mora desde 2008 na capital alemã. Na coluna Checkpoint Berlim, publicada às sextas-feiras, escreve sobre a cidade que já não é mais tão pobre, mas continua sexy.

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