Alemanha propõe envio de migrantes do Mediterrâneo à África

Ministério do Interior alemão defende que refugiados resgatados no mar não sejam levados à Europa, mas sim enviados imediatamente de volta ao continente africano. Objetivo é dissuadi-los da travessia perigosa.Em entrevista ao jornal alemão Welt am Sonntag, uma porta-voz confirmou neste domingo (06/11) que o Ministério alemão do Interior defende o envio imediato de refugiados resgatados no Mediterrâneo de volta para o continente africano. "A falta de perspectiva de alcançar a costa europeia poderia ser um motivo para os migrantes desistirem de empreender uma viagem muito perigosa, que põe em risco as suas vidas e lhe custa muito dinheiro", assinalou a porta-voz. Ela acrescentou que "o objetivo é tirar das organizações de traficantes a base do seu negócio e proteger os migrantes da perigosa travessia no Mediterrâneo". Segundo a proposta alemã, os migrantes que partem por via marítima para a Europa a partir da Líbia seriam devolvidos não a esse país, mas a outro Estado no Norte da África, como a Tunísia ou o Egito. A partir de lá, eles poderiam solicitar asilo na Europa, e se este fosse concedido, seriam transportados para o continente de forma segura. De acordo com o Ministério do Interior alemão, ainda não há planos concretos ou conversações sobre o tema em nível europeu. A conformidade com os procedimentos do Estado de direito e o respeito à Convenção sobre os Direitos Humanos são "condições indispensáveis", disse o órgão. Crítica da oposição A oposição alemã recebeu a proposta com críticas. A presidente do grupo parlamentar do Partido Verde, Katrin Göring-Eckhardt, disse que "o Ministério do Interior trata os refugiados como uma doença contagiosa que se deve evitar". "Quem nega um processo justo às pessoas que estão em fuga age da maneira mais do que duvidosa, tanto em nível da política de refugiados quanto em nível legal", acrescentou. O copresidente do partido A Esquerda, Bernd Riexinger, disse que o avanço da proposta "seria um escândalo humanitário e um passo para a abolição do direito de asilo". Segundo a Organização Internacional de Migração (OIM), somente neste ano, 4.220 pessoas morreram na tentativa de chegar à Europa pelo Mediterrâneo – 725 a mais que no mesmo período no ano passado. CA/lusa/dpa

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