OSCE observa eleição presidencial nos EUA

Michael Knigge (ip)

Em entrevista à DW, chefe da missão eleitoral da OSCE nos Estados Unidos afirma que observadores tentam se certificar de que cidadãos têm acesso às urnas, além de supervisionar políticos, sociedade civil e mídia.O processo eleitoral nos Estados Unidos tem sido observado pela Organização para a Segurança e Cooperação na Europa (OSCE). Há pouco mais de um mês especialistas acompanham a conduta dos políticos, autoridades eleitorais locais, da sociedade civil e até da mídia em todo o país. O objetivo do acompanhamento é verificar se os cidadãos americanos têm acesso à informação e sabem como exercer seu direito ao voto. Em Washington, a DW conversou com a chefe da missão de observação eleitoral da OSCE no país, Dame Audrey Glover. DW: Já faz algum tempo que vocês têm observadores nos Estados Unidos. Qual é a sua avaliação do processo eleitoral até agora? Dame Audrey Glover: Temos observado tudo desde que chegamos aqui, em 2 de outubro, e nossa missão foi inaugurada no dia 4 de outubro. Nossos monitores de longo prazo chegaram uma semana depois, e nós os posicionamos em todo o país. Eles têm observado processos eleitorais locais, os políticos, as autoridades eleitorais locais, a sociedade civil e a mídia. Nossa equipe de monitoramento da mídia tem observado os meios de comunicação durante o dia inteiro, o que nos fornece uma ideia completa de todo o processo eleitoral. Foi encontrado algo de interessante ou digno de nota em todo o processo das eleições até o momento? Temos observado as eleições do ponto de vista do eleitor. Essa é a nossa preocupação: o eleitor e o processo eleitoral, acima dos indivíduos. Nós realmente não nos importamos com quem vai vencer. Temos olhado para questões como cadastro eleitoral e identificação de eleitores, porque vemos a eleição do ponto de vista deles e porque queremos ter a certeza de que eles podem fazer a escolha entre os vários candidatos e de que os candidatos têm uma plataforma para produzir suas campanhas. E então queremos nos certificar de que eles podem votar, que podem se registrar para votar, de que sabem aonde ir e como votar, além de ter a certeza de que seus votos serão protegidos e contabilizados. A nossa preocupação é com o eleitor. E qual a avaliação no momento? Como eu disse, estamos examinando questões de cadastro e identidade eleitoral em algumas áreas. Em que áreas dos EUA? Em algumas partes do país, como Carolina do Norte, Texas, Tennessee. Mas, como disse, temos analisado todo o processo eleitoral e não focado apenas nessas áreas em particular. Estamos monitorando tudo e só observando os acontecimentos. A senhora mencionou um contingente de monitoramento da mídia, um tema que é muito atual, pois a conduta dos meios de comunicação tem tido grande repercussão nesta campanha. Sobretudo Donald Trump reclamou que tem sido tratado de forma injusta pela mídia. Qual é a sua análise até o momento sobre a conduta da mídia por aqui? Temos uma vasta gama de veículos, então há muita opção para as pessoas considerarem e formarem suas opiniões. Todos podem contemplar esses diferentes meios de comunicação e tirar a informação que querem e decidir de que forma gostariam de fazer isso. Então, é claro que as pessoas farão afirmações e queixas, mas nós vemos tudo como alegações até que haja provas sobre o que eles dizem. É certamente uma mídia muito vibrante, com certeza. Outra questão importante nesta campanha são as repetidas reclamações feitas por Trump, muito antes de a votação antecipada começar, de que o processo é manipulado. A senhora encontrou algum mérito nessa alegação? Durante o processo eleitoral, ouve-se todo tipo de alegações. Nós as escutamos, mas enquanto elas forem especulações e não houver provas, nós a tratamos apenas como alegações. Lidamos com fatos e, então, precisaríamos de evidências. Então nenhuma dessas alegações pôde ser verificada? Nem tentaríamos, porque isso não nos compete. Isso é coisa para as autoridades deste país. O que nós analisamos é como as autoridades daqui lidam com essas alegações. Somos observadores, e não policiais.

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