Sites facilitam a troca de votos nos EUA

Christian Wolf (fc)

Eleitores de candidatos independentes em estados decisivos usam internet para trocar seus votos com moradores de outras regiões em prol de Trump ou Hillary. Polêmica, medida é autorizada pela Justiça."Eu apoio Hillary e venho do Alabama, e gostaria de trocar meu voto por outro de um eleitor que apoia um terceiro candidato em um swing state. Entre em contato se vocês tiverem interesse", escreve Henley. Apenas 23 minutos depois, vem a resposta de Sarah Platt: "Olá, Henley! Com grande prazer eu voto a favor de Hillary em Indiana, se eu tiver um voto certo para a candidata Jill Stein em seu estado." Henley e Sarah se encontraram pela plataforma nevertrump.trimian.com e querem trocar seus votos nesta eleição presidencial. Ambas compartilham um objetivo: impedir a vitória de Donald Trump. O site é um dos vários recursos online para realizar a troca de votos, e o sistema eleitoral dos EUA permite isso. No Brasil, por exemplo, tal ação não teria sentido numa eleição presidencial: cada voto, independentemente de onde vier, tem o mesmo peso. Mas, nos EUA, o sistema é indireto. O presidente é escolhido por um Colégio Eleitoral, onde cada estado está representado de acordo com sua população. E os delegados nesse colégio votam como decidiu a maioria dos eleitores no estado que representam. Enquanto a maioria dos estados vota tradicionalmente em republicanos ou democratas, a eleição é decidida nos chamados swing states como Flórida, Ohio ou Indiana – quer dizer, onde o resultado é incerto. E exatamente aí entra a troca de votos. O eleitor que vota em Hillary em um estado onde Trump certamente terá a maior quantidade de votos pode achar que seu voto não terá valor. Mas, em contrapartida, em um swing state, o voto desse eleitor teria um efeito muito maior. Por isso, faz-se a troca de votos. Isso porque, além de Trump e Hillary, há candidatos independentes na corrida eleitoral. Mesmo não tendo chances reais de vitória, eles lutam pelo melhor resultado possível em todos os estados dos EUA. Assim, por exemplo, eleitores da candidata do Partido Verde, Jill Stein, em swing states oferecem seus votos por Hillary – se, em troca, alguém de outro estado votar pela candidata independente. Aval da Justiça Com a troca, tenta-se evitar que muitos votos sejam dados para candidatos independentes em estados extremamente competitivos e que, no final, Donald Trump garanta a vitória. Há cerca de 11 mil usuários que oferecem seus votos no portal. Tendo em conta os milhões de eleitores, o pequeno número seria como uma gota no oceano. Porém, um olhar no passado mostra o quão apertado pode ser a eleição em swing states. O exemplo mais conhecido é a eleição presidencial de 2000. Na época, George W. Bush ganhou de Al Gore na Flórida graças a uma vantagem estreita, de algumas centenas de votos. Caso a disputa entre Trump e Hillary seja apertada, a troca de votos poderia ser de grande valor. Há várias ofertas parecidas na internet. Existe também o site trumptraders.org, que reúne eleitores que querem inviabilizar a vitória de Trump. A troca de votos também é possível no aplicativo de encontros Tinder. "Trumptraders é destinado para pessoas que não votariam em Hillary, mas em Stein, Johnson ou McMullin. Há pessoas que simplesmente não estão preparadas para dar seu voto para Hillary", afirma John Stubbs, fundador do site, em entrevista a um portal de notícias americano. "Mas elas apoiam a candidata democrata se os votos que iriam para seus candidatos fossem computados em outros estados." Segundo ele, esses eleitores "colocam o país acima da preferência partidária". E um detalhe especial: quem quer dar seu voto para Hillary pode até mesmo obter uma espécie de bônus para seu próprio candidato em outro estado. A página oferece a função de trocar um voto para a democrata por dois outros a favor do candidato do interessado. Mas tudo isso é realmente permitido? Em 2000 houve as primeiras tentativas de troca de votos e, na esteira, um tribunal decidiu anos depois que era ação é permitida. O juiz se referiu na decisão à primeira emenda da Constituição americana, que garante a liberdade de expressão. A ação é legal enquanto presentes ou subornos não estiverem ligados à troca. Ninguém sabe, porém, se a pessoa que trocou o voto realmente manterá o acordo na cabine de votação, já que o controle não é possível. Por isso, muitos usuários postam em fóruns de discussão as fotos do voto. Neste caso, eles também têm que ter cuidado: é proibido tirar foto em locais de votação em alguns estados.

Receba notícias do UOL. É grátis!

Facebook Messenger

As principais notícias do dia pelo chatbot do UOL para o Facebook Messenger

Começar agora

Receba por e-mail as principais notícias, de manhã e de noite, sem pagar nada. É só deixar seu e-mail e pronto!

UOL Cursos Online

Todos os cursos