Donald Trump surpreende o mundo e se torna presidente dos Estados Unidos

Mariana Santos (de Chicago)

Contrariando todas as previsões e com discurso explosivo, magnata republicano desbanca Hillary Clinton em eleição histórica, que deixou o mundo atônito e surpreendeu os próprios americanos.Com uma surpreendente vitória nas urnas, o republicano Donald Trump, 70 anos, foi eleito na madrugada desta quarta-feira (08/11) o 45° presidente dos Estados Unidos. O resultado contrariou projeções de renomados institutos de pesquisa e derrubou bolsas em todo o mundo. Mapa:Veja como foi a votação em cada estado Pouco antes das 3 da manhã, horário de Nova York, Trump iniciou seu discurso de vitória afirmando que minutos antes recebera uma ligação da candidata derrotada Hillary Clinton – que não discursou concedendo a derrota – para felicitá-lo pelo feito. Trump elogiou a adversária por ter "lutado muito" nesta campanha e disse que o país deve "agradecer a ela pelos serviços prestados ao país". Na tentativa de se aproximar dos eleitores democratas, o presidente eleito adotou um tom conciliador: "agora é hora de a América permanecer unida – republicanos, democratas, independentes. Prometo a todo cidadão que serei presidente de todos os americanos, isso é muito importante para mim", disse Trump, ao lado da esposa, Melania, dos filhos e do vice-presidente eleito, Mike Pence. Trump disse ainda que sua campanha foi um "movimento incrível" de homens e mulheres em busca de "um futuro melhor para si e suas famílias". E destacou: "este é um evento histórico, mas temos que fazer um bom trabalho". "Prometo que não vou desapontá-los." O republicano voltou a falar em dobrar o crescimento da economia e, já calculando o frenesi global causado por sua vitória, afirmou que os Estados Unidos manterão boas relações "com todos os países que quiserem manter boas relações conosco". Trump ainda falou em "parceria, e não conflito". "Nada que quisermos para nosso futuro está além do nosso alcance. Vamos sonhar grande", afirmou o presidente, o primeiro na história do país a nunca ter servido em um cargo público, civil ou militar. Previsões erradas O dia D nos Estados Unidos começou com os principais veículos da mídia americana projetando uma vitória histórica da primeira mulher presidente no país. Alguns chegaram a calcular em quase 80% a probabilidade de uma vitória da candidata democrata nas urnas. A confiança dos democratas só começou a ruir após o fechamento das urnas nos estados no leste do país e o início da apuração dos votos. Analistas mantiveram os olhos grudados nos resultados que vinham da Flórida, Carolina do Norte, Ohio e Virgínia. Na medida em que os votos nestes estados decisivos – com grande número de votos eleitorais e sem tendência definida – começaram a ser contabilizados, ficou claro que a permanência dos democratas no poder estava em risco. Outras grandes surpresas da noite foram Wisconsin e Michigan, do chamado Rust Belt (cinturão da ferrugem). Considerados redutos democratas certos, este ano eles votaram em Trump. Esta foi pelo menos a terceira ocasião neste ano em que institutos falharam ao tentar prever resultados de votações importantes no mundo. Em junho, pesquisas de opinião mostravam que os britânicos votariam pela permanência do Reino Unido na União Europeia. O movimento "Brexit" acabou vencendo nas urnas com 52%. A rejeição ao acordo de paz do governo colombiano com as Farc por 50,2% da população também contrariou as expectativas. Surpresa já nas primárias A corrida pela Casa Branca este ano foi bastante polarizada e atípica em vários sentidos. Assim que os filiados dos partidos Democrata e Republicano apresentaram suas candidaturas, vários analistas políticos não acreditaram que Donald Trump iria longe na disputa. Conhecido pela personalidade forte e egocêntrica, o milionário seria tragado ainda na fase das primárias, sentenciaram alguns. No entanto, o ex-apresentador do programa de TV "O Aprendiz" desbancou todas as expectativas e acabou derrubando, um a um, os 16 adversários na briga pela nomeação republicana. Jeb Bush, que até o ano passado era favorito à candidatura republicana, abandonou as primárias ainda no começo, de mãos vazias. O único republicano capaz de desbancar Trump, Ted Cruz, acabou desistindo de seguir até o final, deixando o caminho livre para o magnata, que faturou 41 dos 50 estados e 1.441 delegados – mais de 200 a mais do que o mínimo necessário. Campanhas opostas Com a definição dos nomes dos presidenciáveis, republicanos e democratas lançaram suas estratégias para manter os votos em seus redutos e conquistar apoio nos chamados swing states, cuja inclinação partidária varia a cada eleição. Com um discurso voltado para as minorias, Hillary tentou motivar eleitores negros e latinos para um grande levante de participação. Já Trump manteve um discurso que teve grande apelo junto à população branca, masculina e de baixa escolaridade. A campanha rumo à Casa Branca este ano também foi marcada por uma inversão dos valores tradicionalmente defendidos pelos dois principais partidos americanos. Enquanto os republicanos sempre tiveram uma postura mais liberal, defensora do livre comércio, Trump cresceu batendo na tecla do protecionismo. O discurso parece ter surtido efeito principalmente nos estados do noroeste que sofreram grandes perdas econômicas com a drástica redução do setor industrial, como Michigan e Wisconsin. Coube a Hillary desempenhar o papel de defensora dos acordos internacionais. Candidato teflon Na medida em que se tornava cada vez mais real, a candidatura de Donald Trump enfrentou muita resistência dentro de seu próprio partido. O líder republicano no Congresso, senador Paul Ryan, nunca mostrou-se simpático a Trump, assim como outros nomes de peso na legenda como, o senador John MacCain. A disposição de apoiar se reduzia a cada novo comentário polêmico do milionário, como quando disse que McCain não era heroi de guerra por ter sido capturado, ou questionou a cidadania americana do presidente Barack Obama. No entanto, a má repercussão na mídia de suas declarações parecem nunca ter tido efeito sobre seus eleitores. Muitos consideram positivo o fato de Trump "dizer o que pensa" e representar "uma verdadeira mudança" com relação aos tradicionais políticos. Em uma última cartada para tentar desestabilizar Trump, os democratas insistiram em tentar desgastar Trump com as eleitoras. Hillary trouxe à tona declarações de Alicia Machado, uma ex-miss universo que fora chamada de Miss Piggy (porquinha) pelo magnata, por ter ganho peso após o concurso. Em seguida, o vazamento de um vídeo no qual Trump usa termos chulos para se referir às mulheres encorajou várias outras a procurarem veículos da mídia e relatar episódios de assédio sexual por parte do show man. Novamente, ao que parece, as denúncias não atrapalharam os planos do milionário, que nesta madrugada se tornou o presidente da maior economia do planeta.

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