Mostra em Milão acirra debate sobre suposto Caravaggio

Descoberto por acaso em sótão na França, quadro é atribuído ao mestre barroco, mas origem é motivo de controvérsia. Pinacoteca milanesa é criticada por colocá-lo junto a obras autenticadas.Uma pintura atribuída ao artista barroco Michelangelo Caravaggio está em exposição a partir desta quinta-feira (10/11) na Pinacoteca di Brera, em Milão, junto a outros trabalhos autênticos do mestre do claro-escuro barroco. O diretor da pinacoteca, James Bradburne, gerou uma controvérsia ao incluir a pintura numa mostra sobre Caravaggio, já que a autenticidade da obra – descoberta há dois anos num sótão na França – ainda é motivo de discussão. Os críticos dizem que a decisão de mostrar a pintura Judith decapitando Holofernes legitima a sua atribuição a Caravaggio, elevando o seu preço caso seja colocada à venda no mercado. Em protesto, o proeminente historiador da arte Giovanni Agosti deixou a comissão científica da Pinacoteca di Brera. No início desta semana, no entanto, o diretor da pinacoteca defendeu a inclusão do trabalho como sendo o preenchimento de uma das missões do museu de "ser um laboratório para a criação de novos conhecimentos" e não um endosso. Bradburne, que dirige há anos a Pinacoteca di Brera, afirmou que a responsabilidade de decidir a autenticidade de uma obra não cabe a museus, mas a especialistas, enquanto os museus possuem a habilidade de mostrar trabalhos lado a lado e suscitar discussões. "Nenhum acadêmico do mundo pode decidir juntar cinco obras de arte e colocá-las em seu quarto de dormir, de forma que ele ou que ela possa olhar, para ver se a obra é aquilo que promete o que é. Somente museus podem fazê-lo", justificou Bradburne. Venda congelada "Nós não pretendemos fazer parte de um debate sobre a autenticidade da pintura, queremos somente permitir que ela seja comparada com obras contemporâneas de Caravaggio", informou um porta-voz da Pinacoteca onde o suposto Caravaggio estará exposto até 5 de fevereiro de 2017. O quadro de 400 anos ocupou as manchetes em 2014, quando os proprietários de uma casa próxima à cidade de Toulouse, no sudoeste da França, descobriram a obra ao averiguar um vazamento na coberta. A pintura retrata uma cena bíblica – a decapitação do general assírio Holofernes por Judith – e estava em condições excepcionalmente boas quando foi achada. Segundo peritos, atualmente, seu valor pode chegar a 120 milhões de euros (cerca de 430 milhões de reais). Algumas especialistas, no entanto, contestam a autenticidade da obra, atribuindo o trabalho ao pintor flamengo Louis Finson, contemporâneo de Caravaggio. A pintura, cuja venda foi congelada por três anos pelo governo francês, de forma que sua proveniência possa ser mais bem estudada, está sendo exposta com um Caravaggio bem documentado – A ceia em Emaús – e outras cópias conhecidas ou supostas cópias do mestre barroco. Judith decapitando Holofernes está sendo exposta junto a uma cópia de 1607 pintada por Louis Finson, que possuía o original de Caravaggio em seu ateliê que desapareceu posteriormente. Alguns especialistas acreditam que o trabalho descoberto na França é de fato o original desaparecido. CA/afp/ap

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