Multidão vai às ruas contra presidente em Seul

Protesto leva centenas de milhares às ruas da capital, no maior ato da história democrática da Coreia do Sul. Manifestação eleva pressão contra Park Geun-hye, envolvida em escândalo de corrupção.Centenas de milhares de sul-coreanos tomaram neste sábado (12/11) o centro de Seul no maior protesto da história democrática do país. Eles exigem a renúncia de sua presidente, Park Geun-hye, centro de um escândalo de corrupção e tráfico de influência. Cerca de 220 mil pessoas estiveram presentes, segundo a polícia; um milhão segundo os organizadores. Foi o terceiro fim de semana de protesto desde o primeiro pedido público de desculpas de Park, em 25 de outubro,. pela controversa relação com uma amiga. Choi Soon-sil, uma amiga íntima da presidente, supostamente modificou seus discursos, interveio de forma oculta em assuntos de Estado e captou fundos de forma ilícita utilizando sua influência para depois se apropriar de parte deles. O fato de que uma desconhecida tenha tomado importantes decisões governamentais e obtido riqueza e privilégios por sua relação privilegiada com o governo levou praticamente todo o país a dar as costas à presidente. "Park Geun-hye renuncia" foi a frase mais dita pelos manifestantes e onipresente nos cartazes, balões e bandeiras desdobrados na praça da Prefeitura e na avenida de Gwanghwamun da capital sul-coreana. Telas gigantes, palcos, canções de protesto e também temas do gênero sul-coreano K-pop forneceram cor à manifestação que, segundo os números estimados, teria superado em magnitude uma de 2008 considerada até agora a maior em quase três décadas de democracia na Coreia do Sul. "Eu me sinto muito triste. Sinto como se meu país tivesse se perdido, por assim dizer o fim do mundo. Quero pedir que ela renuncie porque já não é minha presidente", comentou a funcionária pública Kyuhyun Kim, de 35 anos, durante o protesto. Após duas primeiras manifestações nas semanas passadas, os partidos da oposição e até 1.500 organizações civis se coordenaram para organizar o protesto em massa deste sábado, com o objetivo de aumentar a pressão sobre a chefe de Estado. O êxito da convocação reforça as cada vez mais várias vozes que pedem a renúncia de Park, cujo nível de popularidade caiu nas últimas pesquisas para 5%, o mais baixo de um líder sul-coreano na história. Em uma tentativa de aplacar as críticas, a presidente nomeou nas passadas semanas um primeiro-ministro próximo à oposição, mas os deputados bloquearam o movimento, e ela foi obrigada a deixar a decisão nas mãos do Parlamento e renunciar a seus poderes em favor do futuro premier. A amiga da presidente, por sua vez, permanece detida enquanto avança a investigação sobre o caso. RPR/efe/rtr

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