Turquia recebe ministro alemão do Exterior em momento tenso

Na primeira visita de Steinmeier ao país desde o golpe frustrado de julho, Anistia Internacional pede maior atuação da Alemanha contra as repetidas violações dos direitos humanos praticadas pelo governo turco.O ministro do Exterior da Alemanha, Frank-Walter Steinmeier (SPD), encontrou-se nesta terça-feira (15/11) em Ancara com seu homólogo turco, Mevlüt Cavusoglu. A visita – a primeira de Steinmeier desde o golpe frustrado de julho – acontece num momento de tensão entre os dois países, sobretudo devido às prisões em massa e repressão massiva a jornalistas, críticos e oposicionistas praticada pelo governo turco desde então. Justificando sua viagem, em entrevista ao tabloide Bild, Steinmeier argumentara que, justamente "em tempos difíceis como este", não se pode evitar o diálogo. Quanto à intenção de reintroduzir a pena de morte no país, ele advertiu o governo turco que este seria um "sinal claro de que deseja fechar definitivamente o 'Dossiê UE '" – numa referência à perspectiva de filiação do país ao bloco europeu, perseguida por Ancara há quase três décadas. A organização de direitos humanos Anistia Internacional (AI) pediu a Steinmeier que "ofereça ajuda concreta a jornalistas, ativistas e membros da oposição ameaçados" na Turquia. A especialista da AI Marie Lucas comentou à agência de notícias AFP que o governo alemão "finalmente resolveu, nas últimas semanas e depois de um silêncio demasiado longo, criticar as violações dos direitos humanos na Turquia". Agora seria importante a crítica ser "apresentada de forma consistente, e não varrida para debaixo do tapete", por medo de se prejudicar o acordo sobre os refugiados. Ao fim da reunião com Cavusoglu, o chefe da diplomacia alemã também recebeu um convite de última hora para se encontrar com o premiê Binali Yildirim e o presidente Recep Tayyip Erdogan. Pela manhã ele já havia se reunido na residência do embaixador alemão com representantes da sociedade civil turca, sobretudo com jornalistas e intelectuais em defesa dos direitos humanos, da liberdade de imprensa e dos direitos curdos. Mais tarde Steinmeier se encontrará com líderes da oposição. Desde o golpe militar fracassado em meados de julho, as autoridades turcas prenderam cerca de 35 mil pessoas, e que dezenas de milhares de funcionários públicos foram demitidos. De acordo com a Associação de Jornalistas da Turquia, 170 meios de comunicação foram fechados desde a tentativa de derrubar o governo Erdogan. Além disso, 150 jornalistas foram presos e revogaram-se 777 credenciais da imprensa. IP/dpa/afp

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