Trump indica senador linha-dura como procurador-geral

Presidente eleito entrega chefia do Departamento de Justiça a Jeff Sessions, conservador com histórico de racismo e que tem discurso tão incendiário sobre imigração como o magnata.O presidente eleito americano,

Donald Trump, escolheu nesta sexta-feira (18/11) Jeff Sessions, senador conservador do Estado do Alabama, para ser secretário de Justiça, cargo que inclui também a função de procurador-geral dos Estados Unidos.

Com a escolha, Trump põe mais uma vez sob críticas seu gabinete, que está sendo formado repleto de nomes conservadores. Ex-procurador-geral do Alabama e procurador dos EUA, Sessions tem discurso linha-dura e muitas vezes inflamatório sobre imigração, em tom similar ao do magnata.

Em 1986, Sessions, de 62 anos, foi indicado para juiz federal pelo então presidente Ronald Reagan, mas teve sua nomeação bloqueada por um comitê do Senado, sob acusação de racismo. Ele foi apenas o segundo jurista em cinco décadas a ter uma indicação do tipo rejeitada.

Na ocasião, ex-colegas testemunharam que Sessions se referia a grupos como a Associação Nacional para o Avanço de Pessoas de Cor e a União Americana de Liberdades Civis como "não americanos" e "de inspiração comunista". Um procurador federal negro afirmou, por sua vez, que Sessions se referiu a ele como "garoto" durante um processo e considerava o Ku Klux Klan como algo ok, "até descobrir que eles fumavam erva".

O senador nunca negou as declarações e justificou tudo como uma brincadeira. Sessions foi também acusado de se referir de forma depreciativa às leis dos direitos ao voto de 1965, consideradas um marco na legislação americana por ter acabado com práticas eleitorais discriminatórias.

Entre outras coisas, o jurista se opõe a qualquer possibilidade de conceder cidadania para imigrantes ilegais e foi um dos principais apoiadores da promessa de Trump de construir um muro na fronteira com o México.

Eleito procurador-geral do Alabama em 1995, Sessions sempre tratou como um triunfo pessoal ter sido eleito para o Senado em 1997 e ter conseguido fazer parte do mesmo painel legislativo que o rejeitara, uma década antes, para ser juiz federal.

Mais dois nomes

Nesta sexta-feira, Trump definiu três nomes de alto escalão de sua equipe de segurança: além de Sessions, o deputado Mike Pompeo foi nomeado diretor da CIA (a agência de inteligência americana) e o general reformado Mike Flynn foi apontado como assessor de segurança nacional.

Os três foram aliados leais de Trump durante a campanha. Nenhum nome foi ainda anunciado oficialmente, mas a imprensa americana dá como certo que todos aceitaram os cargos oferecidos no futuro governo. O gabinete de Trump segue em formação. Outra escolha polêmica foi a de Stephen Bannon, ex-chefe do site conservador Breitbart News e criticado por seus comentários racistas e misóginos, como estrategista-chefe da Casa Branca. 

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