Museu do Holocausto dos EUA liga movimento pró-Trump a Hitler

Elizabeth Schumacher (md)

Instituição critica severamente conferência neonazista de apoio ao magnata ocorrida a poucos quarteirões da Casa Branca. Em discurso durante o evento, líder do movimento fez comentários racistas e antissemitas.O Museu do Memorial do Holocausto dos Estados Unidos, em Washington, condenou uma conferência nacionalista que aconteceu no fim de semana, a alguns quarteirões da Casa Branca. Na reunião, o proeminente supremacista branco Richard Spencer fez um discurso antissemita, que foi recebido com aplausos, saudações nazistas e gritos de "heil". "O Holocausto não começou com a matança, começou com palavras", afirmou a direção do museu, através de comunicado divulgado nesta segunda-feira (20/11). A instituição fez um apelo a "todos os cidadãos americanos, líderes religiosos e cívicos e à liderança de todos os setores do governo para que combatam o pensamento racista e o divisor discurso do ódio", parecendo se referir ao fato de o presidente eleito, Donald Trump, não ter se distanciado publicamente dos líderes racistas e grupos que o apoiam. A conferência aconteceu num prédio federal, o Ronald Reagan Building, a menos de um quilômetro da Casa Branca, e foi organizada pelo National Policy Institute (NPI). O NPI é um think tank conhecido por promover opiniões nacionalistas brancas e seu presidente, Richard Spencer, é tido como o criador do termo "alt-right". O termo vem de Alternative Right (direita alternativa), um eufemismo para um grupo que vê imigração e multiculturalismo como ameaças à identidade branca. A expressão tem sido muito usada nos últimos dias, depois que Donald Trump nomeou Stephen Bannon para ser seu estrategista-chefe. Antes da campanha presidencial de 2016, Bannon foi presidente-executivo da Breitbart News, site cujos líderes admitem que "fornecem uma plataforma" para o alt-right, embora neguem que compartilhem suas opiniões. A indignação com os comentários de Spencer atingiu seu ápice na segunda-feira, quando foi divulgado um vídeo em que ele se referia à imprensa como "Lügenpresse" ou "imprensa mentirosa", expressão usada pelos nazistas para tirar o crédito de jornalistas que relatavam suas atrocidades. Em seguida, ele empregou a gasta teoria da conspiração sobre um complô judaico para controlar a política, desta vez deturpando reportagens contra Trump. "Nós nos perguntamos se essas pessoas são gente mesmo ou golem sem alma", questionou Spencer. Ele, então, chamou o sucesso de Trump de "vitória da vontade", uma alusão a Triunfo da vontade, famoso filme de propaganda nazista dirigido por Leni Riefenstahl. "A América era, até esta última geração, um país branco, projetado para nós e nossa posteridade", disse Spencer, segundo o New York Times. "É nossa criação, é nossa herança e pertence a nós." Ele, então, afirmou que os americanos brancos têm que "conquistar ou morrer". De acordo com o Museu do Holocausto, sua escolha de palavras "ecoa de perto a visão de Adolf Hitler sobre os judeus e de que a história é uma luta racial pela sobrevivência". Vários membros da plateia na conferência fizeram a saudação de Hitler quando Spencer concluiu seu discurso, gritando: "Salve Trump, salve nosso povo, salve a vitória!"

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