Merkel alerta alemães para crescimento do populismo

Em seu primeiro pronunciamento desde que anunciou que vai concorrer a novo mandato, chanceler alemã não cita Trump, mas reconhece que populistas ganham espaço nas democracias ocidentais.A chanceler federal da Alemanha, Angela Merkel, fez um apelo aos alemães nesta quarta-feira (23/11) para que não cedam ao "populismo em expansão". Foi o primeiro pronunciamento da chefe de governo desde que ela anunciou, no domingo, sua candidatura a um quarto mandato. As declarações de Merkel foram feitas durante um debate realizado no Parlamento sobre o Orçamento do país para 2017. Sem mencionar o presidente eleito nos Estados Unidos, Donald Trump, a chanceler falou em "receios sobre a estabilidade da ordem a que estamos acostumados." "Creio que não devemos subestimar isso que está acontecendo com a digitalização e com a internet", disse a governante, para quem "o populismo e o extremismo político vivem um momento de ascensão nas democracias ocidentais". "Atualmente, há muita gente que consulta mídias baseadas em regras bem diferentes dos critérios jornalísticos em vigor até pouco tempo atrás. Não digo que essas são as únicas razões [para o aumento do populismo], mas gostaria de salientar que a maneira pela qual se forma opinião hoje em dia acontece de forma diferente do que há 25 anos", acrescentou. A líder alemã salientou que a internet, através da digitalização, modificou completamente a mídia, com muitas informações falsas circulando na rede sem a devida averiguação jornalística, o que favoreceria a manipulação. Merkel também chamou a atenção para a existência de notícias falsas criadas deliberadamente, além de métodos automatizados de manipular a opinião. Para a chanceler, valores como liberdade, ordem e lei não são mais vistos como normal. Um dos caminhos para lidar com esse fenômeno seria por meio de legislação, disse Merkel, referindo-se a mensagens de ódio espalhadas pela internet. No último domingo, Merkel anunciou a intenção de concorrer a um quarto mandato como chanceler da Alemanha, numa decisão recebida como sinal de estabilidade após o Reino Unido ter votado para deixar a União Europeia e a eleição de Donald Trump nos Estados Unidos. Ao longo do ano, o partido de Merkel sofreu uma série de reveses em eleições estaduais, enquanto aumentou o apoio à legenda Alternativa para a Alemanha (AfD), que tem discurso anti-imigração. Uma pesquisa do instituto Emnid divulgada no domingo mostrou que 55% dos alemães querem que Merkel, a oitava chanceler da Alemanha desde a Segunda Guerra, sirva um quarto mandato; 39% são contra. Ip/dpa/afp

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