Putin usa tom conciliatório em discurso anual à nação

Presidente russo diz que seu país "jamais procurou ter inimigos" e reafirma disposição de colaborar com Donald Trump. Líder exalta recuperação econômica e combate à corrupção.O presidente russo, Vladimir Putin, adotou um tom conciliatório em seu pronunciamento anual sobre o Estado da Nação nesta quinta-feira (1º/12) no Kremlin, ao afirmar que seu país "jamais procurou ter inimigos". "Não queremos confrontos com nenhuma parte. Isso não é necessário – não por nós, nossos parceiros ou pela comunidade internacional", disse. No discurso transmitido ao vivo em rede nacional, o presidente também mencionou a futura relação com Donald Trump, a recuperação da economia russa, o combate a corrupção no país, entre outros temas. Sobre a posição atual da Rússia no cenário internacional – no momento em que o país vive seu momento mais tenso desde a Guerra Fria, em razão de seu papel na crise da Ucrânia e na guerra civil da Síria – Putin reforçou que "ao contrário de alguns de nossos colegas estrangeiros que veem a Rússia como um adversário, não procuramos, jamais procuramos, inimigos. Precisamos, sim, de amigos". Ele, porém, ressaltou que a Rússia não deve "permitir que seus interesses sejam infringidos". Putin exaltou a recuperação econômica de seu país após anos de recessão, afirmando que a economia do país deve recuar apenas 0,3% em 2016. No ano passado, segundo diversas estimativas, o recuo foi de cerca de 4%. Os problemas econômicos russos são decorrências de "assuntos domésticos", disse Putin, ao invés das sanções impostas à Rússia pelo Ocidente em conseqüência da interferência do país na Ucrânia. O homem forte do Kremlin reiterou a disposição de seu governo em trabalhar com o presidente-eleito dos Estados Unidos, Donald Trump, que assumirá a Casa Branca em janeiro. "É importante normalizar e iniciar relações bilaterais numa base igualitária e mutuamente benéfica", disse. "Temos a responsabilidade coletiva de assegurar a segurança e a estabilidade internacional", afirmou, acrescentando que uma ruptura nessa "paridade estratégica" seria "extremamente perigosa e poderia levar a uma catástrofe global". Lições da história Putin também exaltou o combate à corrupção em seu país. A campanha nacional anticorrupção levada adiante pelas autoridades "exige responsabilidade e profissionalismo". "Não se trata de um show", disse. Ele pediu que seu país permaneça unido para eliminar quaisquer conflitos políticos internos que possam desestabilizar o Estado. "Vimos recentemente muitos países onde esse tipo de situação permitiu o surgimento de oportunistas, golpes de Estado e, finalmente, anarquia". "O resultado em toda parte é sempre o mesmo: tragédias humanas e vítimas, decadência e ruína, desapontamento". O presidente pediu que os cidadãos analisem a história turbulenta do país – incluindo a Revolução Bolchevique de 1917 – para tirar lições do passado que ajudem a evitar um cenário semelhante na Rússia dos dias de hoje. "Precisamos de lições de história, primeiramente para a reconciliação e o reforço da harmonia, política, social e civil que alcançamos hoje", afirmou. "É inaceitável que nos atenhamos a disputas e rancores, ressentimentos e amarguras do passado na vida atual." RC/dpa/afp

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