Zeitgeist: A delicada relação entre a China e Taiwan

Alexandre Schossler

Ilha se vê como uma nação soberana e democrática, mas governo comunista em Pequim a considera uma província rebelde que deve ser impedida à força de buscar a independência. Confira na coluna desta semana.A questão taiwanesa é um dos temas mais delicados na República Popular da China, que considera a ilha de Taiwan (ou Formosa) como parte do seu território, na forma de uma província dissidente. Se a ilha tentar sua independência, deve ser impedida à força, na interpretação chinesa. Já o governo de Taiwan, ou oficialmente República da China, vê-se como um estado soberano, com constituição, forças armadas, moeda e eleições democráticas. A capital é Taipé. Na prática, Taiwan é separado da China desde 1949, quando o aparato governamental do partido Kuomintang fugiu para a ilha, vindo do território continental chinês, que havia sido tomado pelos comunistas liderados por Mao Tse-tung. No âmbito internacional, os dois governos se viram durante muitos tempos como representantes únicos da nação chinesa e consideraram o outro lado como ilegítimo. Até os anos 1970, a maioria dos países alinhados aos Estados Unidos considerava a República da China (Taiwan) como a única China, enquanto que o bloco comunista dava esse status à República Popular da China. No Conselho de Segurança da ONU, por exemplo, a cadeira reservada à China era ocupada pelo governo da República da China, ou Taiwan. Só em 1971 as Nações Unidas mudaram de posição, passando a reconhecer a República Popular da China como representante da nação chinesa. Já os Estados Unidos, de longe o principal aliado de Taiwan, trocaram o reconhecimento diplomático de Taiwan para a China em 1979, num processo de aproximação com Pequim. Desde então, os EUA não reconhecem diplomaticamente Taiwan e nenhum presidente americano jamais ligou para um líder taiwanês. Ainda assim, os americanos mantiveram a parceria com Taiwan, a quem fornecem armas, e se declaram comprometidos com a segurança da ilha. Apesar de, formalmente, os dois lados ainda se verem como representantes de toda a China, a questão se relativizou nos últimos anos. A República Popular da China, por exemplo, considera que há apenas uma China, composta do território continental e de Taiwan, mas diferentes interpretações do que seria esse uma China. A eleição de Ma Ying-jeou em Taiwan, em 2008, também ajudou a aproximar os países. Desde os anos 1980, os dois lados também se aproximaram movidos por interesses comerciais. A China é hoje o maior parceiro comercial de Taiwan. Já a ilha é um dos principais investidores na República Popular. Histórico Em 1895, a dinastia Qing cedeu Taiwan ao Japão, depois da derrota na Primeira Guerra Sino-Japonesa. Com a derrota do Japão na Segunda Guerra Mundial, os Aliados devolveram Taiwan à China, que era então governada por Chiang Kai-shek e se chamava oficialmente República da China. Só que, nos anos seguintes, as forças de Chiang Kai-shek foram sendo sistematicamente derrotadas pelos comunistas liderados por Mao Tse-tung. Como resultado, Chiang e seu aparato governamental, formado pelo partido Kuomintang, fugiu para a ilha de Taiwan em 1949. O que era uma ditadura tornou-se ao poucos uma democracia, num processo liderado pelo filho de Chiang Kai-shek, Chiang Ching-kuo. Assim, em 2000 foi eleito o primeiro presidente não ligado ao Kuomintang, Chen Shui-ban. A coluna Zeitgeist oferece informações de fundo com o objetivo de contextualizar temas da atualidade, permitindo ao leitor uma compreensão mais aprofundada das notícias que ele recebe no dia a dia.

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