Estudo desafia mito da pobreza no Leste Alemão

Christoph Hasselbach (md)

Se for considerado o poder de compra em vez da renda, a pobreza está principalmente nos grandes centros urbanos do oeste e não no território da antiga Alemanha Oriental, afirma um estudo do instituto econômico IW.Na Alemanha, pobreza tem uma definição precisa pelas autoridades: pobre é quem ganha menos de 60% do rendimento médio da população. Ou, ainda mais precisamente, quem tem até 917 euros por mês. Essa definição tem um problema evidente: o que se compra com 917 euros em Munique não é o que se pode comprar com 917 euros em Berlim, por exemplo. Os preços variam de uma cidade para a outra, começando pelos aluguéis e alimentos e chegando ao cabeleireiro ou a uma visita ao museu. Por isso, o instituto econômico IW, sediado em Colônia, propôs um outro conceito: "pobreza segundo o poder de compra". Pobre, segundo essa definição, é quem tem menos de 60% do poder de compra médio de uma região. A Alemanha que se vê por essa perspectiva é bem diferente da tradicional. A descoberta mais surpreendente é que quase não há mais diferença entre leste e oeste. "As áreas mais problemáticas se concentram nas cidades e não no Leste Alemão", explica o economista Christoph Schröder, um dos autores do estudo. O IW criou, paralelamente ao tradicional "atlas da renda", um "atlas da pobreza segundo o poder de compra" da Alemanha. Neste, os estados da Turíngia, de Brandemburgo e da Saxônia, todos no leste, estão abaixo da média alemã de pobreza, embora seus habitantes ganhem menos do que em outras regiões. Cidades são áreas mais problemáticas As áreas problemáticas, por outro lado, estão todas nas cidades, principalmente nos grandes centros urbanos do oeste alemão. Gelsenkirchen tem uma taxa de "pobreza segundo o poder de compra" de 28,4%, Colônia, de 26,2%. Mesmo Düsseldorf e Aachen, não exatamente famosas pela sua miséria, têm taxas de cerca de 23% da população que, segundo esse critério, pode ser considerada pobre. O melhor percentual foi identificado num distrito rural perto do Lago de Constança, com taxa de apenas 8,6%. "Muitas vezes nos deixamos enganar pelas lojas bonitas dos grandes centros urbanos", diz Schröder. Moradores ricos das grandes cidades fazem os preços subirem e elevam a oferta de produtos e serviços, mas frequentemente uma boa parte da população fica excluída disso. Mas quais grupos sociais estão numa situação ruim nas grandes cidades? Essa questão também foi alvo do estudo, que identificou três grupos especialmente afetados pela "pobreza segundo o poder de compra". O resultado não é bem uma surpresa: desempregados, pessoas de origem migratória e pais ou mães solteiras são os que mais têm problemas para pagar os preços elevados das grandes cidades, principalmente os aluguéis. "Esses grupos são mais comuns nas cidades do que nas zonas rurais", lembra Schröder. "A estrutura populacional explica cerca de metade da diferença entre áreas urbanas e rurais no tocante à pobreza." Necessidade de investimentos Em outras palavras, o fato de esses grupos viverem mais na cidade do que no interior explica em grande parte por que as cidades concentram a pobreza. Só que todos eles têm bons motivos para estar em cidades: os desempregados sabem que nelas é mais fácil achar um emprego, os migrantes geralmente conhecem outros migrantes que já vivem nas cidades e as mães e pais solteiros encontram uma creche para seus filhos com muito mais facilidade na cidade do que no campo. Os autores não recomendam, portanto, que pessoas ameaçadas de pobreza se mudem para o interior para resolver o seu problema. Em vez disso, os políticos devem ajudar esses grupos. O Estado deve investir mais em oportunidades de educação e especialização, em escolas de tempo integral, assim como na construção de moradias nas cidades, a fim de aliviar a pressão sobre os alugueis. Além disso, os autores acreditam que os incentivos regionais, tanto o alemão como o europeu, concentram-se demais no leste da Alemanha. No futuro, o Estado deve implementar uma política de combate à pobreza que se oriente por necessidades reais. Para isso, é importante levar em conta não só a renda, mas também o poder de compra, afirmam os autores do estudo.

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