Obama defende "estratégia inteligente" contra o terrorismo

Em seu último discurso sobre segurança nacional antes de deixar o cargo, presidente dos EUA pede continuidade da luta contra o terror sem falsas promessas e sem abrir mão de direitos civis.O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, concedeu nesta terça-feira (06/12) seu último discurso sobre segurança nacional antes de ser substituído por seu sucessor, Donald Trump. Dirigindo-se a centenas de militares numa base da força aérea em Tampa, na Flórida, o líder democrata exortou os americanos a continuarem a luta contra o terrorismo, mas alertou que isso não deve ser feito em detrimento dos direitos civis e das tradições democráticas do país. "Precisamos da sabedoria para entender que manter nossos valores e aderir ao Estado de direito não é uma fraqueza. No longo prazo, essa é a nossa maior força", disse, arrancando aplausos dos soldados reunidos na base da força aérea MacDill. O local é a sede do Comando de Operações Especiais dos EUA e do Comando Central na Flórida. "Nós podemos pegar esses terroristas e continuarmos fiéis a quem nós somos", disse, admitindo, no entanto, que "o extremismo violento ainda deverá permanecer conosco nos próximos anos". "Em vez de oferecer falsas promessas de que podemos eliminar o terrorismo ao jogar mais bombas ou enviar cada vez mais soldados ou ainda ao nos isolarmos do resto do mundo com cercas, temos de enfrentar a ameaça terrorista no longo prazo e adotar uma estratégia inteligente que possa ser sustentável", afirmou. O presidente também comentou as técnicas extremas de interrogatório antes aplicadas pela CIA contra detentos suspeitos de terrorismo. "Nós proibimos a tortura em todos os lugares e em todos os momentos, e isso inclui táticas como waterboarding", disse ele, referindo-se à técnica de tortura do afogamento simulado. "Em nenhum momento alguém que tenha trabalhado comigo me disse que isso nos rendeu boas informações." Obama lamentou a incapacidade de cumprir suas promessas relativas ao centro de detenção na ilha caribenha de Guantánamo, em Cuba. O presidente atribuiu ao Congresso a culpa por não ter permitido que ele fechasse o centro, apontado por Obama como "uma mancha na nossa honra nacional". O democrata acrescentou que os EUA estão "desperdiçando centenas de milhões de dólares para manter menos de sessenta pessoas" no local. Retirada de tropas Obama salientou o fato de que, desde que assumiu a presidência em 2009, a maioria das tropas dos EUA foi retirada do Iraque e do Afeganistão. Sob seu governo, o número de soldados nos dois países foi reduzido de 180 mil para 15 mil. Isso também inclui o número de conselheiros na Síria. "Em vez de colocar toda a carga sobre as tropas terrestres americanas; em vez de tentar organizar invasões onde quer que os terroristas apareçam, construímos uma rede de parceiros", disse ele. "Somos uma nação que acredita que a liberdade nunca pode ser tomada como certa e que cada um de nós tem o dever de sustentá-la, o direito universal de falarmos o que pensamos e de protestarmos contra a autoridade, viver numa sociedade aberta e livre, que pode criticar o presidente sem retaliações", declarou. Obama não citou Trump em nenhum momento. IP/afp/ap

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