Após ciberataques, inteligência alemã teme por eleição de 2017

Marcel Fürstenau (md)

  • Getty Images

Serviço secreto alerta para perigo crescente das tentativas de descredenciar políticos e influenciar eleitores na internet. Partidos e Parlamento já foram alvos de ataques, que têm hackers russos como suspeitos.

Propaganda e desinformação, ataques cibernéticos, espionagem e sabotagem cibernéticas: o perigo potencial existente na internet é enorme. O presidente do Departamento de Proteção à Constituição da Alemanha (BfV), Hans-Georg Maassen, vê aí uma parte da "ameaça híbrida para as democracias ocidentais".

"A mudança de comportamento dos usuários de redes sociais é uma porta de entrada ideal para a desinformação deliberada", afirmou nesta quinta-feira (8).

Entre os cenários de horror das agências de segurança estão possíveis atentados a infraestruturas críticas, como usinas geradoras de energia e hospitais, que fariam os recentes ataques contra a gigante das telecomunicações alemã Telekom parecerem relativamente inofensivos. Por mais incômodos que tenha causado o bloqueio temporário de linhas de telefone e de internet, o incidente não teve maiores consequências.

Especialistas acham possível que os autores do ataque sejam russos. O mesmo se aplica ao ataque ao Bundestag em 2015. Embora não haja provas definitivas para essas suposições, círculos de segurança afirmam haver indícios concretos.

Tirar a credibilidade de políticos

O presidente do BfV, órgão responsável pela inteligência interna na Alemanha, disse estar cada vez mais preocupado com o risco para a eleição parlamentar alemã de 2017, já que "espionagem cibernética cada vez mais agressiva" tem sido detectada nos últimos tempos.

Falsas informações veiculadas por meio de ciberataques podem vir à tona durante a campanha eleitoral "para tirar a credibilidade de políticos alemães". Maassen acrescenta que estão em risco ministros, deputados e líderes partidários, e "se condensam os indícios de tentativas para influenciar a eleição geral no próximo ano".

O jurista expressou preocupação de que sejam criadas "câmaras de eco", nas quais possa "encontrar solo frutífero" a formação de opinião sobre assuntos de política interna através da agitação político-social. O presidente do BfV citou o caso de uma adolescente de 13 anos de ascendência russo-alemã que, segundo a mídia russa, teria sido sequestrada e estuprada por imigrantes em Berlim no ano passado – informação posteriormente refutada pelas autoridades alemãs.

O caso provocou protestos da comunidade russa em diversas cidades, inclusive diante da Chancelaria Federal, a sede do governo alemão em Berlim. A notícia foi divulgada em reportagens sensacionalistas em meios de comunicação estatais russos e em sites na internet. Pouco depois, descobriu-se que a jovem realmente havia desaparecido temporariamente, mas que o resto da história era forjado.

"Ameaça persistente" e ataques sob falsa bandeira

Nos últimos meses houve até mesmo diversos ataques a alvos políticos clássicos. Em maio, o partido governista União Democrata Cristã (CDU) foi atingido; em agosto foi novamente a vez do Bundestag (câmara baixa do Parlamento). No entanto, ambos os ataques cibernéticos fracassaram.

Em círculos de segurança, a suposição é que eles teriam partido de uma rede russa denominada pelos especialistas de APT 28, abreviatura para Advanced Persistent Threat (ameaça persistente avançada). Esse grupo também é suspeito de ter lançado um ataque bem-sucedido ao Bundestag em 2015.

De acordo como o BfV, vem-se destacando atualmente sobretudo a tática de desinformação sob falsa bandeira, em que campanhas lançadas por hackers são muitas vezes difíceis ou impossíveis de serem reconhecidas como fraudes pelos internautas.

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