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França quer prolongar estado de emergência até julho

2016-12-10T11:42:00

10/12/2016 11h42

Governo considera alto o risco de ataques terroristas no momento em que o país se prepara para realizar eleições presidenciais e legislativas entre abril e junho de 2017. Proposta será submetida ao Parlamento.O primeiro-ministro da França, Bernard Cazeneuve, anunciou neste sábado (10/12) que o governo quer prolongar o estado de emergência em vigor desde os atentados terroristas de 13 de novembro de 2015, em Paris, por mais sete meses, até 15 de julho de 2017.A prorrogação da medida de exceção, que ainda deverá ser submetida ao Parlamento, é uma resposta à persistência da ameaça terrorista no momento no qual a França se prepara para realizar – entre abril e junho de 2017 – eleições presidenciais e legislativas, afirmou Cazeneuve.Ao deixar a reunião de um Conselho de Ministros extraordinário, o chefe de governo disse à imprensa que a decisão dará tempo suficiente para que o presidente e o Parlamento eleitos analisem a situação de segurança antes de se pronunciarem.O atual estado de emergência expira em janeiro. No entanto, após a renúncia do ex-primeiro-ministro Manuel Valls, que se apresentará como candidato nas eleições presidenciais, o novo governo de Cazeneuve deveria revisar a medida em um prazo de 15 dias.Tudo indica que o prolongamento contará com amplo apoio no Legislativo, mas o estado de emergência conta com vários críticos na França, sobretudo organizações civis que consideram que o mesmo é ineficaz para a luta contra o jihadismo e viola os direitos fundamentais.A extensão da medida, que acontecerá pela quinta vez desde que foi decretada, "é indispensável para assegurar o maior nível de proteção" aos cidadãos, considerou Cazeneuve, que tinha ao seu lado os ministros de Interior, Bruno Le Roux, e da Justiça, Jean-Jacques Urvoas.Após garantir que a "ameaça terrorista continua em um nível particularmente elevado", o primeiro-ministro lembrou que, desde o início deste ano, as forças de segurança frustraram 17 atentados e detiveram 420 pessoas vinculadas com redes jihadistas, por isso o estado de emergência "demonstrou amplamente sua eficácia"."Constatou-se uma redução no número de retornos [do Iraque e da Síria], o que faz com que a organização terrorista 'Estado Islâmico' (EI) incite cada vez mais indivíduos a tomarem ações diretamente em solo francês", argumentou Cazeneuve.Apesar de tudo, o primeiro-ministro insistiu que o estado de exceção "não tem vocação de permanência, [mas] está ligado à noção de perigo iminente".FC/efe/lusa