Galileo coloca UE na vanguarda da navegação por satélite

Fabian Schmidt (av)

Com 18 do total planejado de 30 satélites já em órbita, o sistema europeu, inteiramente sob controle civil, promete precisão muito superior à do GPS. Galileo é também compatível com outros sistemas de navegação.A União Europeia colocou em atividade nesta quinta-feira (15/12) os primeiros serviços do Galileo, seu sistema de navegação por satélite. Além de serviços acessíveis ao público, como localização e navegação, o projeto europeu também estará apto a auxiliar em casos de salvamento no mar e nas montanhas, assim como transmitir sinais do sistema de chamada de emergência para automóveis eCall. O Galileo oferece também às agências governamentais um serviço codificado, para situações de emergência, como atentados terroristas. Desse modo, a UE deu um passo importante em sua meta de dispor de um sistema de navegação por satélite sob controle civil, que futuramente deverá fornecer a usuários privados e comerciais dados muito mais precisos do que o sistema americano GPS, atualmente empregado. Precisão de até alguns centímetros Um foguete de lançamento Ariane-5 ES partiu de Kourou, na Guiana Francesa, em 16 de novembro às 10h06 (hora local), transportando quatro satélites de 738 quilos, cada um. Em menos de cinco horas todos haviam sido colocados em suas respectivas órbitas. Eles estão agora configurados e prontos para funcionar, e o sistema conta com 18, do total planejado de 30 dispositivos espaciais. O lançamento não foi apenas significativo para o sistema Galileo, como valeu dois recordes para o foguete transportador. Nunca um Ariane 5, o cavalo de batalha da Agência Espacial Europeia (ESA), colocou simultaneamente no espaço tantos satélites e tão pesados. Tratou-se, ainda, do 75º lançamento de um foguete do tipo, quebrando assim o recorde estabelecido pelo modelo anterior, Ariane 4, que voou 74 vezes sem apresentar defeitos. O Galileo é um dos grandes projetos de prestígio da UE. Ao contrário do americano GPS, que conta mais de 20 anos, o sistema europeu de satélites está submetido a controle civil, e oferece grande parte de seu espectro de precisão aos usuários privados e comerciais. Enquanto o GPS admite discrepâncias de até 15 metros, em sua configuração final, de 30 satélites, o Galileo terá para os clientes privados uma margem de erro de cerca de quatro metros. Os usuários comerciais e órgãos governamentais, por sua vez, contarão com uma exatidão de até poucos centímetros. Desse modo, seria teoricamente possível controlar aviões, automóveis ou embarcações de modo automático ou semiautomático e com grande precisão. Até o fim de 2018, no mínimo 24 satélites estarão em funcionamento, e o sistema será considerado plenamente operacional. Cooperação mundial O alto grau de precisão do Galileo foi um dos motivos por que inicialmente a Secretaria de Defesa dos Estados Unidos rejeitou o sistema. O temor era que inimigos da Otan ou de outros aliados pudessem utilizá-lo para fins militares. Nesse ínterim, os engenheiros encontraram uma solução técnica para o problema: am caso de crise, as Forças Armadas podem interferir nos sinais de navegação civil numa determinada área, enquanto aqueles destinados aos militares permanecem inalterados. O Galileo é, ainda, conectado com os satélites do sistema de emergência Cospas-Sarsat, permitindo localizar com alta precisão, por exemplo, os sinais de SOS de navios em apuros. Além disso, as unidades de salvamento estarão capacitadas a enviar mensagens por satélite ao emissor. Ao lado dos Estados-membros da ESA, vários outros países contribuíram de maneiras diversas para o Galileo, entre outros a Arábia Saudita, Coreia do Sul, Índia, Israel, Marrocos e Ucrânia. Embora seu próprio sistema de navegação por satélite, Bei Dou, esteja em fase de testes, também a China está ligada ao Galileo através de um centro universitário de treinamento, cujo foco é desenvolver novos conceitos de utilização por usuários e firmas – e, por conseguinte, novos produtos para o mercado. Até a Rússia, que opera seu sistema próprio, o Glonass, participa indiretamente do Galileo, cujos 14 satélites anteriores foram colocados em órbita por foguetes Soyuz. Por fim, dependendo da configuração e da programação das diferentes aplicações de navegação, todos os sistemas de satélites concorrentes do planeta são compatíveis entre si e podem se complementar reciprocamente.

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