Merkel acusa Rússia e Irã de crimes em Aleppo

UE convida prefeito exilado de Aleppo a cúpula para relatar sobre a situação no ex-reduto rebelde sírio. Participação de russos e iranianos nos ataques é condenada, mas ainda não se fala de sanções.Após o líder municipal de Aleppo relatar, durante a cúpula da União Europeia desta quinta-feira (15/12), a tragédia humanitária na cidade síria, a chanceler federal alemã, Angela Merkel, corresponsabilizou Moscou e Teerã por ações criminosas contra a população do leste de Aleppo. Os "ataques direcionados contra civis e hospitais" perpetrados pela Rússia e o Irã, em conjunto com o regime sírio, precisam ser penalizados, exigiu a chefe de governo, acrescentando que o relatório de Brita Hagi Hassan sobre a situação na cidade destruída foi "muito deprimente". "Nós constatamos que podemos fazer muito menos do que gostaríamos de fazer", resumiu Merkel numa coletiva de imprensa. Diante das atrocidades da guerra na Síria, a UE pretende agora ativar todos os canais diplomáticos para minimizar a calamidade humana. "Não somos insensíveis ao sofrimento", afirmou Donald Tusk, presidente do Conselho Europeu. Supervisão internacional em Aleppo A UE tem visa estabelecer corredores humanitários até o leste de Aleppo, dar acesso livre para a assistência e fazer com que a área seja evacuada sob supervisão internacional. Além disso, a comunidade europeia reivindica o envio de observadores das Nações Unidas até o ex-reduto rebelde tomado pelas tropas de Damasco. Apesar das acusações explícitas contra a Rússia e o Irã, ainda não se cogitaram sanções contra esses países. Admitindo que "não somos tão eficazes como gostaríamos", Tusk explicou que convidou Hassan à cúpula desta quinta-feira a fim de que se escutasse a voz dos seres humanos em Aleppo, pelo menos desse modo simbólico". Denominado "prefeito" da cidade, Hassan é, na realidade, o presidente do conselho municipal, que vive fora da Síria desde que foi ferido, em julho último. O presidente da França, François Hollande, exigiu em Bruxelas: "A população civil deve poder deixar Aleppo sem ter que temer pela própria vida." Ainda há 50 mil pessoas sitiadas. O político socialista enfatizou que não descarta a adoção de sanções contra a Rússia. Organizações humanitárias igualmente acusam Moscou de crimes de guerra. Segundo carta dos capacetes-brancos e outros grupos de direitos civis a uma comissão de inquérito da ONU, as ofensivas aéreas russas mataram 1.207 civis, entre os quais 380 crianças. Com base em depoimentos de testemunhas, material de vídeo, gravações de áudio interceptadas das cabines dos aviões de combate e na munição empregada, o documento de 39 páginas afirma terem sido realizados, entre julho e dezembro deste ano, 304 ataques aéreos na região de Aleppo, a maioria por forças russas. "As provas indicam claramente que a Rússia cometeu ou participou de crimes de guerra na Síria", é a conclusão da carta dos grupos de direitos civis. Na quinta-feira, o presidente sírio, Bashar al-Assad, declarou Aleppo "libertada". AV/afp/rtr/dpa/dw/ots

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