Retirada de civis do leste de Aleppo é interrompida

Governo suspende remoção de moradores e combatentes afirmando que oposição violou acordo de cessar-fogo. Segundo Observatório Sírio para os Direitos Humanos, mais de 8 mil pessoas deixaram a cidade nas últimas horas.O governo sírio suspendeu nesta sexta-feira (16/12) a retirada de civis e combatentes do leste de Aleppo, acusando a oposição de violar o acordo, disse uma fonte de segurança. De acordo com um correspondente da agência de notícias AFP, houve tiros e explosões em Ramussa, bairro mantido pelo governo do qual os civis estavam sendo evacuados. O jornalista disse que os ônibus e as ambulâncias que esperavam para coletar moradores partiram vazios. "A operação de evacuação foi suspensa porque os militantes não respeitaram as condições do acordo", disse a fonte de segurança à AFP. A Organização Mundial da Saúde (OMS) confirmou que as ambulâncias e veículos que eram utilizados para o transporte de pacientes tiveram de deixar o território sem nenhuma explicação prévia. A televisão estatal da Síria também confirmou a informação, afirmando que os grupos rebeldes "violaram o acordo e tentaram contrabandear armas pesadas e reféns do leste de Aleppo". A representante da OMS na Síria, Elizabeth Hoff, acredita que a mensagem para abortar a operação tenha sido enviada pelos russos que estão monitorando a área. Sua equipe de nove funcionários no leste de Aleppo não teve contato com as autoridades sírias no local. O chefe regional do Comitê Internacional da Cruz Vermelha, Robert Mardini, confirmou que "infelizmente, a operação foi suspensa". No seu perfil no Twitter, Mardini fez um apelo à ambas as partes para que a operação de evacuação seja retomada em segurança. "Nós pedimos às partes para garantir que a operação possa ser relançada e proceder nas condições adequadas", disse ele. O Observatório Sírio para os Direitos Humanos (OSDH), baseado no Reino Unido, disse que a suspensão é uma tentativa de pressionar os rebeldes a permitir evacuações de duas vilas controladas pelo regime, mas que estão sob cerco da oposição. "Ahrar al-Sham e outros grupos rebeldes impediram que ônibus e ambulâncias entrassem em Fuaa e Kafraya, apesar de prometer aos turcos que deixariam a evacuação prosseguir", disse o diretor do Observatório, Rami Abdel Rahman. De acordo com ele, os combatentes pró-governo também estavam bloqueando a rota para fora da cidade, numa tentativa de pressionar os rebeldes para permitir a evacuação de Fuaa e Kafraya. As duas vilas de maioria xiita ficam na província de Idlib, que desde 2015 é em grande parte controlada por grupos rebeldes. Evacuação O governo da Síria e seu aliado, o Irã, teriam bloqueado a implementação inicial da evacuação de Aleppo nesta quarta-feira 14/12, até que um acordo para permitir que os feridos e doentes deixassem as vilas fosse aceito. A operação para evacuar os civis e os combatentes restantes no leste de Aleppo começou na tarde desta quinta-feira e avançou noite adentro. O OSDH disse que cerca de 8.500 pessoas já deixaram a cidade, indo para território rebelde no oeste da província. O Exército iniciou uma operação para reconquistar Aleppo em meados de novembro e já havia retomado mais de 90% do antigo território rebelde no leste da cidade antes das evacuações começarem. TMS/afp/rtr

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