Estudo sugere que Anne Frank pode não ter sido traída

Museu levanta tese de que batida que levou à descoberta do esconderijo da menina e sua família na Holanda pode não ter sido fruto de uma denúncia anônima, mas do acaso.A detenção de Anne Frank, menina judia alemã que se tornou um dos maiores símbolos das atrocidades do Holocausto, pode não ter sido resultado de uma traição, como contam livros, museus e filmes sobre seu período escondida dos nazistas na Holanda. Leia mais: Diário é fenômeno inesgotável no Brasil Leia mais: A história do diário de Anne Frank Leia mais: História ganha primeira versão alemã no cinema Segundo um estudo divulgado nesta sexta-feira (16/12) pelo museu Casa de Anne Frank, em Amsterdã, o anexo onde ela se escondeu com sua família e outros quatro judeus durante a Segunda Guerra teria sido alvo de uma batida policial ligada a uma investigação de fraude. Em quatro de agosto de 1944, um ano antes do fim da guerra, todas as oito pessoas escondidas no número 263 da rua Prinsengracht foram detidas e enviadas ao campo de extermínio de Auschwitz. Só Otto, pai de Anne, sobreviveu. A menina morreu no campo de Bergen-Belsen, em 1945, aos 15 anos. A história mais propagada é de que os agentes nazistas foram levados ao prédio após uma denúncia de uma fonte anônima de que judeus estariam escondidos ali. Mas o estudo questiona se de fato sabia-se disso antes de a batida ser ordenada. Uma das pistas, diz o estudo, está no próprio diário de Anne Frank: no dia 10 de março de 1944, a menina escreve sobre a detenção de dois homens, a quem se refere como B e D e que negociavam cupons ilegais de comida no mesmo prédio onde ficava o esconderijo. "Uma empresa onde dois vendedores foram detidos por negociarem cupons de comida, obviamente, cria o risco de atrair a atenção das autoridades", argumenta o estudo. O estudo diz ainda que o caso de Anne Frank parece diferente de "casos comuns" de traição de judeus escondidos. "Por exemplo, o fato de que muitos telefones foram cortados em 1944, e o número da SD [serviço primário de inteligência nazista, para quem a denúncia teria sido feita] sequer estava nos guias telefônicos." Isso, continua o estudo, levanta a possibilidade de que a ligação, se realmente aconteceu, chegou a partir de outra agência governamental. O museu também coloca em questão o papel dos três homens que realizaram as detenções. "Sempre se considerou que caçar e deter judeus escondidos eram as principais atividades deles, mas fontes sobre seu trabalho indicam algo diferente", afirma o estudo. "Aparentemente, eles se ocupavam sobretudo de uma variedade de outros crimes." O estudo termina afirmando que a possibilidade de traição não está descartada, e que não há ainda qualquer prova concreta que ligue a investigação sobre os cupons de comida com a captura da família Frank. RPR/dpa/ap

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