"Piores receios se tornaram realidade em Berlim"

Christoph Hasselbach (md)

Em entrevista à DW, especialista em terrorismo diz que ataque na capital alemã já era esperado pelas autoridades e difícil de evitar. Na opinião dele, a sociedade tem que aprender a conviver com tais ameaças.Na noite desta segunda-feira (19/12), um caminhão avançou contra frequentadores de um mercado de Natal no coração de Berlim, deixando ao menos 12 mortos e quase 50 feridos. As autoridades partem do princípio de que se trata de um atentado terrorista e buscam o responsável. O grupo extremista "Estado Islâmico" (EI) reivindicou a autoria do ataque. Em entrevista à DW, Rolf Tophoven, diretor do Instituto para Prevenção de Crise (IFTUS), em Essen, na Alemanha, comenta o ocorrido. Para o especialista, a tragédia na capital alemã significa que os piores receios dos serviços de segurança do país se tornaram realidade. "Um ataque dessa dimensão com um caminhão não pode ser 100% evitado", afirma. DW: Um ataque como este em Berlim era provavelmente apenas uma questão de tempo, certo? Tophoven: A dimensão do ataque, também em relação ao número de mortos e feridos, já era algo, de certa forma, esperado pelas autoridades de segurança alemãs. Especialmente após os atentados de Bruxelas e Paris no ano passado, presumiu-se que a Alemanha é um alvo não apenas abstrato do terrorismo, como já foi dito muitas vezes, e que um atentado concreto poderia ocorrer aqui também. Portanto, os piores receios dos serviços de segurança se tornaram realidade agora. O ataque poderia ter sido evitado? Não. Se você tem um criminoso que é fanático e usa um caminhão como uma arma, você não tem chance, a menos que você o conheça, saiba quando e onde ele pretende fazer algo e o prenda antes do ataque. Mas não dá para controlar todos os veículos, também não dá para bloquear todos os mercados de Natal de forma que os torne seguros contra ameaças. Então você teria que fechar os mercados de Natal. Ou seja, um ataque dessa dimensão com um caminhão não pode ser 100% evitado. O suspeito preso e depois solto por falta de evidências é um refugiado do Paquistão. As autoridades sabem com quem estão lidando e quais dos milhares ou até centenas de milhares de migrantes têm um histórico de radicalismo? Muito é, certamente, do conhecimento das autoridades. Mas devido à massa dos que chegaram, é simplesmente impossível filtrar todo mundo, embora muito frequentemente o processo de radicalização só chegue a ocorrer na Europa. Muitas pessoas chegaram à Europa e à Alemanha com a intenção não só de obter segurança mas também uma renda, satisfação e uma existência segura. Quando essas expectativas não são atendidas pela sociedade, pode existir aqui e ali o perigo de se escorregar para a radicalização. A discussão em relação à política de segurança varia, após tais incidentes, entre o exagero e a impotência. O que pode ser feito pelas autoridades realisticamente e como se comportar como um cidadão? É certo que foi alcançado o objetivo dos terroristas, que é gerar medo em muitas pessoas – não em todas. Mesmo com todo o cuidado em relação a multidões, é importante para cada um manter uma espécie de serenidade soberana, para que não acabemos favorecendo os terroristas com nossas reações. O que absolutamente não deve ocorrer é exigir novas leis e restrições através de uma reação impensada e nervosa. O Estado não pode fornecer 100% de segurança. O ministro alemão do Interior, Thomas de Maizière, já havia dito após os atentados de Ansbach e Würzburg [neste ano] que uma sociedade aberta e livre tem que se acostumar a lidar com tais situações extremas. Nós precisamos nos acostumar a tais dramas extremos, se quisermos manter a nossa abertura, a nossa forma de sociedade.

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