Zeitgeist: As diferenças entre CDU e CSU

Alexandre Schossler

A política alemã tem uma particularidade: a existência, no campo conservador, de dois partidos políticos irmãos, que não concorrem um contra o outro e formam uma bancada única.O debate sobre a política de refugiados do governo da Alemanha chama a atenção para uma peculiaridade da política do país: a existência de dois partidos do campo democrata-cristão e conservador muito semelhantes entre si: a União Democrata Cristã (CDU) e União Social Cristã (CSU). A CDU é presidida pela chanceler federal Angela Merkel, e a CSU é liderada pelo governador da Baviera, Horst Seehofer. Ao lado do Partido Social-Democrata (SPD), elas formam a coalizão que atualmente governa a Alemanha. A principal diferença entre os dois partidos é que a CSU é ativa apenas na Baviera, um dos estados do sul do país. Já a CDU é ativa em todos os outros 15 estados da federação. Juntas, elas formam o que, no jargão político alemão, chama-se de União. Como não estão em concorrência direta, a lei permite que CDU e CSU se unam no Bundestag (Parlamento), formando uma bancada única. A existência de dois partidos conservadores remonta aos primeiros anos do pós-Guerra, quando as correntes conservadoras da Baviera se reuniram na CSU, enquanto que, em todos os demais 15 estados, elas formaram a CDU. A CSU, assim como a Baviera, é predominantemente católica. Já a CDU costuma ter melhor desempenho em regiões católicas do que nas protestantes, apesar de as duas correntes cristãs estarem representadas de forma mais equilibrada no partido. Os programas partidários de CDU e CSU são muito semelhantes. A CSU é mais conservadora do que a CDU em temas envolvendo a família, como a defesa de uma ajuda financeira do governo para mães que optam por ficar em casa cuidando dos filhos em vez de deixá-los numa creche. A CSU também costuma adotar um tom mais regional e ser mais crítica em relação à União Europeia do que a CDU. A crise dos refugiados expôs uma nova diferença entre os dois partidos, com a CSU exigindo a criação de centros de registro e retenção de migrantes nas fronteiras e a criação de um teto máximo para o acolhimento. As duas propostas são rejeitadas por Merkel e pela CDU. A questão dos refugiados se tornou um conflito aberto entre Merkel e Seehofer. Debates sobre uma possível expansão da CSU para toda a Alemanha retornam de tempos em tempos desde os anos 1970, principalmente quando as divergências entre os dois partidos aumentam. No início dos anos 1970, a CSU iniciou esse debate motivada pelo enfraquecimento do bloco conservador, que estava na oposição. A tese corrente era de que os conservadores teriam melhores chances eleitorais se houvesse dois partidos em nível nacional, um de perfil mais liberal e outro conservador. Já em 1976, a derrota eleitoral do então presidente da CDU, Helmut Kohl, gerou uma luta aberta de poder entre ele e o presidente da CSU, Franz Josef Strauss. Em novembro daquele ano, a CSU se separou oficialmente da CDU e iniciou preparativos para uma expansão em nível nacional. Em resposta, a CDU ameaçou com a sua presença na Baviera, o que fez os líderes da CSU repensarem sua decisão e desistirem da separação poucos dias depois.

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