Mais de 100 presos seguem foragidos após massacre em Manaus

Dos 184 detentos que fugiram durante rebeliões em presídios no Amazonas, apenas 70 foram capturados. Governo estadual exonera diretor-de penitenciária acusado de receber propina de facção criminosa.Mais de 100 presos continuam foragidos no Amazonas desde as violentas rebeliões que ocorreram em dois presídios em Manaus no início do ano e que deixaram dezenas de mortos, anunciaram nesta terça-feira (10/01) fontes oficiais. Dos 184 presos que fugiram do Instituto Penal Antônio Trindade (Ipat) e do Complexo Penitenciário Anísio Jobim (Compaj), apenas 70 foram capturados pelas autoridades, segundo fontes da Secretaria de Segurança Pública do Amazonas. O Compaj foi cenário de uma sangrenta revolta que durou 17 horas e na qual integrantes da facção Família do Norte (FDN) iniciaram uma caçada contra os membros do Primeiro Comando da Capital (PCC). O massacre deixou 56 mortos. Boa parte dos mortos na chacina era integrante da facção criminosa Primeiro Comando da Capital (PCC), rival da Família do Norte (FDN), grupo ligado à facção Comando Vermelho e do qual muitos dos presos no Compaj faziam parte. O episódio representou o segundo maior massacre na história carcerária do país após o do Carandiru, em 1992, em São Paulo, quando 111 detentos morreram, a maioria pelas mãos da polícia. Depois da rebelião, a Justiça determinou a transferência de 20 presos que foram ameaçados de morte no Compaj para a Cadeia Pública Desembargador Raimundo Vidal Pessoa, no centro de Manaus. No entanto, após uma rebelião no presídio, no domingo, que deixou quatro mortos, eles foram novamente transferidos para o interior do estado. Porém, nesta terça-feira, a Justiça determinou a terceira transferência do grupo, que foi levado novamente para Manaus. O governo não informou o motivo da nova transferência. Ligação com facções O governo do Amazonas exonerou o diretor-interino do Compaj, José Carvalho da Silva. Em nota, a administração estadual disse nesta terça-feira que Silva foi acusado de receber dinheiro da FDN para facilitar a entrada de drogas, armas e celulares na penitenciária e informou que abriu uma sindicância para analisar as denúncias. A acusação foi feita por dois detentos, assassinados no massacre, em cartas que foram entregues à Defensoria Pública do Amazonas no dia 10 de dezembro. Os documentos foram anexados ao processo de um deles no dia 14 de dezembro, para conhecimento do juiz Luis Carlos Valois, titular da Vara de Execuções Penais. Ambos afirmaram que estavam sendo ameaçados de morte. "Eles são corruptos e recebem dinheiro da facção criminosa facilitando a entrada de drogas e celulares e [também] a última fuga no Compaj", disse um deles, referindo-se a diretores da unidade prisional. O Judiciário entrou em recesso no dia 20 de dezembro, e os pedidos do defensor público não foram analisados. À Agência Brasil, o juiz Valois disse que não recebeu em mãos o pedido da Defensoria Pública e os documentos citados, e nem sequer foi procurado pela defesa dos presos para tratar do assunto. A gestão do Compaj compete à empresa terceirizada Umanizzare, que administra outros cinco estabelecimentos prisionais no Amazonas e dois no Tocantins. Em nota, a empresa informou que o comando das unidades cabe a servidores públicos indicados pela Secretaria de Estado de Administração Penitenciária. Desde o início do ano, o país atravessa uma crise carcerária, que já deixou pelo menos 100 presos mortos no Amazonas, na Paraíba e em Roraima. CN/efe/abr/ap/dpa

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