Como os alemães veem o casamento homossexual

Naomi Conrad (ca)

Maioria da população é a favor da equiparação de direitos para gays e lésbicas. Mas há preconceitos, e a Alemanha ainda está atrás de muitos países quanto ao status legal do casamento entre pessoas do mesmo sexo.Ainda que expressamente proibido pela Lei Geral de Tratamento Igual (AGG, na sigla em alemão), gays, lésbicas e bissexuais ainda são discriminados na Alemanha. Para Christine Lüders, diretora do Departamento Federal Antidiscriminação (ADS), é "inegável" que existe um problema. Ao apresentar, nesta quarta-feira (11/01) em Berlim, os resultados de uma pesquisa representativa, marcando o início do ano da diversidade sexual sob o lema "Direitos iguais para todo amor", ela deu exemplos: um casal de lésbicas rejeitadas como inquilinas pelo proprietário de um apartamento; um homem que foi demitido quando se soube que vivia com outro homem; ou um casal de gays que foi convidado a deixar o saguão de um hotel por terem se beijado – todas essas pessoas recorreram ao Departamento Antidiscriminação. Segundo o estudo encomendado pelo órgão dirigido por Lüders, a maioria dos alemães é claramente a favor da igualdade legal para homossexuais e bissexuais. O estudo apontou que 83% dos entrevistados são a favor do casamento entre duas mulheres ou entre dois homens, e 95% apoiam que homossexuais sejam protegidos legalmente contra a discriminação. União civil: casamento de segunda categoria Na Alemanha vale a união civil ou parceria registrada, que muitas vezes é chamada de "casamento gay". Para Christine Lüders, trata-se de um "casamento de segunda categoria", e neste ponto a Alemanha está atrás de muitos países da Europa e do mundo. "Acho que seria bom os políticos estarem abertos ao tema do casamento para todos, como é o caso da maioria da sociedade", afirmou Lüders em conversa com a DW. A grande maioria (75,8%) dos cerca de 2 mil entrevistados entre outubro e novembro de 2016 disse ser a favor de que casais homossexuais também possam adotar crianças, o que atualmente é vedado na Alemanha. No entanto, o estudo também confirmou atitudes de rejeição bastante generalizadas, com 20% considerando a homossexualidade "antinatural". Quase 40% se disseram incomodados quando dois homens demonstram afeto em público, por exemplo através de um beijo. Quanto mais as questões envolvem a vida privada dos entrevistados, maior o ceticismo: 39,8% achariam desagradável ter uma filha lésbica. No caso de um filho gay, a cifra sobe para 40,8%. E por volta de 27% defendem que nas salas de aulas somente casais heterossexuais sejam usados para ilustrar amor e relacionamento. Ameaça populista Quanto mais jovens e escolarizados, menos preconceitos demonstraram os entrevistados, informou a diretora da pesquisa, Beate Küpper. Em geral, o posicionamento das mulheres perante a homossexualidade é mais positivo do que o masculino. Além disso, quanto mais religiosa é uma pessoa – quer judia, cristã, hindu ou muçulmana – mais negativa tende a ser sua visão de homossexuais e bissexuais. Tanto Lüders quanto outros especialistas advertem que o clima na sociedade pode mudar. No momento, uma "pequena, mas perigosa aliança entre fundamentalistas religiosos, populistas de direita, radicais antifeministas" determina o clima, declarou Markus Ulrich, porta-voz da Associação de Gays e Lésbicas da Alemanha. Ele disse temer que tal aliança venha ganhar ainda mais influência em 2017, se forças populistas que incitam ao ódio contra as minorias forem bem-sucedidas nas eleições gerais na Holanda, França e Alemanha. Christine Lüders compartilha essa opinião, apontando principalmente para a legenda populista de direita Alternativa para a Alemanha (AfD), que tem pontificado com declarações homofóbicas e, segundo pesquisas recentes de intenção de voto, conta com o apoio de 15% do eleitorado: "Estou muito preocupada que justamente a AfD provoque um retrocesso no atual clima de tolerância", adverte a diretora do ADS.

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