Imprensa chinesa fala em guerra após ameaça de Tillerson

Em audiência de confirmação no Senado, Rex Tillerson, nomeado por Trump para o Departamento de Estado, sugere bloquear acesso de Pequim às ilhas artificiais no Mar da China Meridional.A imprensa estatal chinesa reagiu com fúria nesta sexta-feira (13/01) às declarações de Rex Tillerson, indicado pelo presidente eleito dos Estados Unidos, Donald Trump, para ser o próximo secretário de Estado. Durante sua audiência de confirmação no Senado, Tillerson ameaçou bloquear o acesso da China às ilhas artificiais que os chineses estão construindo no Mar da China Meridional e comparou a ação chinesa à invasão e anexação da Crimeia pela Rússia, no auge da crise política na Ucrânia. "Você precisa enviar um sinal claro à China de que, primeiro, a construção de ilhas deve parar e, segundo, seu acesso a essas ilhas não é algo a ser permitido", afirmou Tillerson aos senadores. "O limite máximo é que águas internacionais são águas internacionais", disse. Em resposta, o jornal estatal China Daily alertou que uma interferência americana "traçaria o rumo para um confronto devastador" entre China e Estados Unidos. Ao mesmo tempo, observou que Tillerson estaria "meramente buscando receber favores dos senadores e aumentar as chances de sua confirmação ao demonstrar intencionalmente uma postura rígida em relação à China". Imagens de satélite revelam que a China trabalha intensamente na construção de instalações militares numa região cuja soberania é reivindicada por diversos países, como as Filipinas e o Vietnã. Durante o governo do presidente Barack Obama, Washington alertou diversas vezes que as atividades chinesas são uma ameaça à liberdade de navegação. Aeronaves americanas realizaram diversos sobrevoos no local, o que Pequim considerou provocação. Washington, porém, não chegou a tomar uma posição sobre a questão da propriedade do arquipélago. O ex-presidente da petrolífera ExxonMobil, porém, afirmou que as ilhas "não são da China por direito". "A menos que Washington planeje iniciar uma guerra em larga escala no Mar da China Meridional, quaisquer medidas para bloquear o acesso da China às ilhas serão idiotas", afirmou o jornal chinês Global Times em editorial. O jornal, que tem a reputação de refletir o ponto de vista dos membros mais beligerantes do Partido Comunista chinês, afirmou ainda que Tillerson deve "renovar suas estratégias nucleares se quiser forçar uma grande potência nuclear a se retirar de seus próprios territórios". O Global Times já havia apelo ao governo em Pequim para que aumentasse seu arsenal nuclear após a ameaça de Trump de suspender a chamada "política de uma só China", considerada pelos chineses como a base das relações bilaterais sino-americanas, após uma controvérsia gerada por um telefonema entre Trump e a presidente de Taiwan, Tsai Ing-wen. As reações das autoridades chinesas às declarações de Tillerson foram mínimas. Um porta-voz do Ministério chinês do Exterior observou que a tensões no Mar da China Meridional se acalmaram. "Esperamos que os países não regionais respeitem o consenso, que é do interesse fundamental de todo o mundo", afirmou. O Global Times afirmou que, por enquanto, Pequim continuará a ignorar os comentários de Tillerson, mas alertou que, "se a equipe diplomática de Trump tratar as futuras relações sino-americanas do modo como faz agora, os dois lados devem se preparar para um confronto militar". RC/afp/rtr/ap

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