Conferência em Paris reafirma solução de dois Estados para Oriente Médio

Em clima misto de boa vontade e ceticismo, nova tentativa de avançar o processo de paz entre israelenses e palestinos ganha maior premência após promessa de Trump de transferir embaixada americana para Jerusalém.Ministros e diplomatas de cerca de 70 países reuniram-se neste domingo (15/01), em Paris, numa Conferência pela Paz no Oriente Médio. Em esboço da declaração final, os representantes apelam por uma "solução negociada com dois Estados, Israel e Palestina, vivendo lado a lado, em paz e segurança". Além disso, o documento reafirma o direito dos palestinos a um Estado próprio e à soberania nacional, exigindo o fim da ocupação israelense iniciada em 1967. É saudada a resolução do Conselho de Segurança da ONU, do fim de dezembro de 2016, que condena os assentamentos de Israel em território palestino. "A solução de dois Estados não é o sonho de um sistema do passado, ela ainda é a meta para o futuro da comunidade internacional, em toda sua diversidade", comentou o presidente da França, François Hollande, durante o encontro. Desse modo, ele aparentemente rebatia os comentários do primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, o qual, durante uma reunião de gabinete em Jerusalém, definiu o encontro em Paris como "os últimos estertores do mundo de ontem": "O mundo de amanhã será diferente, e ele está muito próximo", anunciou o chefe de governo conservador. Temor das medidas de Trump A conferência de paz, que não contou com representantes nem de Israel, nem da Autoridade Nacional Palestina, ganha relevância especial a cinco dias da posse de Donald Trump como presidente dos Estados Unidos. O magnata republicano antecipou que pretende transferir a embaixada americana de Tel Aviv para Jerusalém, reconhecendo assim a cidade dividida como capital de Israel e, consequentemente, reduzindo ainda mais as chances de uma solução que admita a convivência de um Estado israelense e um palestino. A perspectiva da mudança da representação dos EUA foi rejeitada por muitos dos presentes à conferência de Paris. Como declarou em entrevista à emissora France 3, o ministro do Exterior francês, Jean-Marc Ayrault, considera esse passo uma provocação que teria "consequências extremamente graves". Também seu homólogo alemão, Frank-Walter Steinmeier, advertiu que a medida, inclusive a reação potencial dos palestinos, acarretaria o risco de uma nova escalada das tensões na região. "É preciso evitar isso, e esta conferência pode pelo menos dar uma contribuição, com todos os interessados numa paz duradoura no Oriente Médio reconhecendo e expressando que a solução de dois Estados é a única forma de avançar." Em contrapartida, o Ministério britânico do Exterior expressou em comunicado "reservas particulares" em relação a uma conferência de paz que não envolve as partes interessadas, e que "de fato, está transcorrendo contra os desejos dos israelenses". Foi igualmente criticada a escolha da data, às vésperas da posse de Trump, uma vez que "os EUA serão o garante decisivo de qualquer acordo". Ceticismo do Hamas Embora não tenha participado do encontro deste domingo, o presidente da Autoridade Palestina, Mahmud Abbas, viajará para Paris nas próximas semanas, a fim de se encontrar com o presidente francês e se informar sobre o resultado das conversas. Segundo diplomatas franceses, Netanyahu também recebeu um convite nesse sentido, ao qual não reagiu. Hollande enfatizou que a conferência não visou "ditar" os parâmetros do diálogo para os israelenses e os palestinos, e que somente negociações diretas levarão à paz. Ainda assim, há a intenção de oferecer "garantias e incentivo" para que ambas as partes se encontrem à mesa de negociações. Neste domingo, o Ministério palestino do Exterior pediu que uma coalizão internacional se encarregue da implementação dos resultados da conferência de Paris. Por sua vez, o movimento islâmico Hamas tachou a reunião de apenas mais uma, numa longa série de conferências de paz frustradas. Apelando ao governo palestino para que se una ao Hamas na confrontação com Israel, o porta-voz do movimento Abdulatif al-Qanoo'a lembrou, em comunicado, que "a ocupação israelense nunca demonstrou qualquer comprometimento em respeitar ou implementar os resultados dessas conferências ou os acordos assinados". A mais recente tentativa de mediar um acordo para o Oriente Médio, encabeçada pelos Estados Unidos e seu secretário de Estado, John Kerry, foi declarada fracassada em abril de 2014, após nove meses de negociações. O ministro Ayrault comentou que a atual conferência marca um momento crítico na retomada do processo de paz, no qual a solução de dois Estados está "ameaçada". "Se estamos reunidos aqui em números tão elevados, é porque estamos todos conscientes da urgência da situação, assim como da necessidade de nos mobilizarmos coletivamente para dar um impulso indispensável ao processo de paz." Portanto "não há tempo a perder", frisou o chefe da diplomacia francesa. AV/ap,afp,rtr,dpa

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