Deputada abandona partido de Merkel

Há mais de 40 anos na CDU, Erika Steinbach afirma que política migratória do governo é ilegal e faz elogios aos populistas de direita, que tentam capitalizar decisão. Alemanha vai às urnas em setembro.Após mais de quatro décadas na União Democrata Cristã (CDU), da chanceler federal Angela Merkel, a deputada Erika Steinbach anunciou neste sábado (14/01) sua saída do partido e fez duras críticas à política migratória do governo alemão. A decisão foi rapidamente capitalizada pelo partido populista de direita Alternativa para a Alemanha (AfD), que abriu as portas a Steinbach, de 73 anos. Os alemães vão às urnas em setembro, em eleições gerais tidas como as mais importantes no país em décadas. "Eu votaria atualmente na CDU? Não", afirmou a deputada, que representa o estado de Hessen desde 1990 no Bundestag, à edição dominical do jornal Die Welt. "Eu aderiria hoje em dia à CDU? Não. Então eu só posso chegar à conclusão honesta de deixar a CDU." Steinbach disse que tomou a decisão por desacordo com a política migratória do governo Merkel, que segundo ela viola a Constituição alemã e as leis europeias por abrir a porta aos refugiados sem maior controle. "Que, há meses, pessoas sejam trazidas em ônibus e trens através da fronteira não é uma exceção, mas uma medida deliberada contrária às nossas normas legais e contrária aos tratados da União Europeia", afirmou ao jornal a deputada, que ficará com status de independente no Parlamento. Segundo a deputada, é esse cenário que possibilitou a ascensão da AfD, que "aborda temas hoje que nos últimos anos foram negligenciados". Ela negou que vá aderir ao partido, mas disse esperar que ele entre no Parlamento para que haja "finalmente uma oposição de novo." "Conservadores ex-CDU são sempre bem-vindos na AfD", escreveu a eurodeputada Beatrix von Storch, uma das líderes do partido. "Certamente eu vou falar ao telefone em breve com Erika Steinbach sobre seus planos políticos", disse, por sua vez, Alexander Gauland, cofundador da legenda. Desde o início da crise migratória, em 2015, a Alemanha recebeu mais de 1 milhão de migrantes, em sua maioria da Síria. O atentado de dezembro em Berlim, realizado por um tunisiano requerente de refúgio no país, inflamou o debate sobre a política de portas abertas de Merkel, que será tema central na campanha para as eleições de setembro. RPR/dpa/ots

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