Washington se prepara para o inesperado em solenidade de posse de Donald Trump

Cerimônia deve atrair cerca de 900 mil pessoas, entre simpatizantes e opositores do novo presidente. Grupo de democratas prometeu boicotar evento e uma série de manifestações são previstas ao longo do dia.Centenas de milhares de simpatizantes e opositores de Donald Trump se reúnem em Washington nesta sexta-feira (20/01) para acompanhar de perto a cerimônia de posse do 45° presidente dos Estados Unidos. Após uma campanha marcada pelo abandono das convenções e por um eleitorado extremamente dividido, Washington se prepara para o inesperado neste dia histórico. Conforme o protocolo, o republicano deverá começar o dia em um ritual na Igreja St. John, próxima à Casa Branca, acompanhado de sua esposa, Melania. Na sequência, ele será recebido pelo presidente Barack Obama e ambos devem se dirigir ao Capitólio para a transferência de poder. Por volta do meio-dia (hora local), Trump deverá então pousar a mão sobre a Bíblia e prestar o juramento da posse presidencial. Após a cerimônia, os Trump acompanharão os Obama até a Ala Leste do Capitólio para se despedir. Estima-se que a cerimônia vá atrair em torno de 900 mil pessoas, entre simpatizantes e opositores, o que poderá dar ao evento um tom mais partidário do que o usual. Mais de 50 legisladores democratas planejam boicotar o ritual de posse como forma de protesto contra a eleição de Trump, apontada por eles como ilegítima. Uma série de protestos contra o republicano também são esperados ao longo do dia. De acordo com uma enquete elaborada pela emissora ABC News em parceria com o jornal Washington Post e divulgada nesta semana, apenas 40% dos americanos apoiam Trump. Esta é a menor taxa de aprovação de um presidente em vias de ser empossado desde quando o democrata Jimmy Carter chegou à Casa Branca em 1977. Em comparação, Obama tinha uma aprovação de 78% ao tomar posse em 2009. As festividades da inauguração deverão ter como foco o tema da união. Esperar o inesperado Discursos de posses presidenciais nos EUA costumam ser cerimônias tradicionais, rígidas peças da oratória americana que raramente saem do script. A inauguração de Trump pode mudar essa tradição, já que o republicano ficou conhecido durante a campanha por falas e comentários muitas vezes espontâneos e polêmicos. "As performances oratórias anteriores de Trump sugerem que ele não sabe ou não se importa com as convenções dos discursos presidenciais como candidato e nem agora na situação de posse", disse Paulo Stob, que pesquisa a tradição da retórica americana na Universidade Vanderbilt. "Sinceramente, eu não faço ideia do que esperar. Estou esperando o inesperado", afirmou. A opinião de Stob é compartilhada por sua colega Jennifer Mercieca, especialista em retórica política da Univerdade de Texas A&M. Ela acredita que Trump não só despreza a tradição de discursos políticos nos EUA como construiu sua imagem em torno da quebra de convenções. "Ao longo da campanha, ele afirmou dizer o que pensava, e não conforme um roteiro, previamente sondado em testes ou escrito por consultores políticos", disse Mercieca por e-mail. "Essa alegação de autenticidade tem sido usada como prova de que ele não é um político corrupto", avaliou. IP/ap/dpa/rtr

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