Casa Branca ataca imprensa e fala em combate "com unhas e dentes"

Trump afirma que mídia "desonesta" inventou briga com a CIA e acusa jornalistas de subestimar de propósito o público na cerimônia de posse. Assessores dizem que imprensa vai prestar contas do que faz.A imprensa foi o alvo do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, no seu primeiro dia completo no cargo, neste sábado (21/01). Ele chamou os jornalistas de desonestos, disse que a mídia inventou a briga dele com a CIA e acusou jornais e emissoras de subestimar o público que acompanhou a sua cerimônia de posse, em Washington. Os ataques aconteceram no mesmo dia em que mais de 1 milhão de pessoas saíram às ruas de grandes cidades dos Estados Unidos para protestar contra o novo presidente e a favor dos direitos das mulheres e das minorias, que os críticos afirmam correrem risco no governo Trump. Neste domingo, o chefe de gabinete de Trump, Reince Priebus, afirmou à emissora Fox News que o presidente está tentando fazer com que a mídia se comporte de forma "honesta", acrescentando que "há uma obsessão por parte da mídia para deslegitimar este presidente e nós não vamos ficar passivos assistindo a isso". Priebus disse que o governo vai combater a cobertura midiática desfavorável "com unhas e dentes". No sábado, durante uma visita à sede da CIA, em Langley, na Virgínia, Trump afirmou que os jornalistas estão entre as pessoas "mais desonestas da Terra" e disse que mais de 1,5 milhão de pessoas assistiram à sua cerimônia de posse em Washington, o que fotografias do evento desmentem. A visita tinha por objetivo melhorar a relação de Trump com a CIA, depois de ele ter culpado os serviços de espionagem pelo vazamento de um dossiê com informações comprometedoras não comprovadas e ter sugerido que as práticas dos agentes remetem à Alemanha nazista. O então diretor da agência, John Brennan, foi chamado por Trump de "vazador de notícias falsas". Apesar disso, Trump afirmou durante a visita que a sua briga com a agência foi inventada pela imprensa. "Eu estou em guerra com a imprensa. Eles estão entre os seres humanos mais desonestos da face da Terra, e eles fizeram parecer que eu tinha uma briga com a comunidade de inteligência", afirmou. "É exatamente o oposto. Eu amo vocês e respeito vocês. Eu estou mesmo do lado de vocês." Segundo o New York Times, Nick Shapiro, um dos principais assessores de Brennan, disse que o ex-diretor da agência está profundamente triste e irritado com a "lamentável autoglorificação" exibida por Trump diante do memorial dos heróis da CIA. "Brennan disse que Trump deveria se envergonhar de si mesmo", acrescentou Shapiro. Brennan renunciou ao cargo nesta sexta-feira. Polêmica sobre participação popular na posse Durante a visita, Trump aproveitou para questionar a cobertura de sua posse. "Eu fiz um discurso. Eu olhei para frente, o espaço estava... parecia um milhão, um milhão e meio. Eles mostraram um espaço onde não havia praticamente ninguém por lá", declarou aos agentes. "Nós os pegamos de jeito. E eu acho que eles vão pagar caro." O presidente ainda atacou um jornalista da revista Time que afirmou que ele removeu um busto de Martin Luther King Jr. do Salão Oval da Casa Branca. "É assim que a imprensa é: desonesta", disse Trump. O jornalista reconheceu seu erro e disse que uma porta e um segurança taparam sua visão do local. A Time também publicou uma retificação. Mais tarde, o porta-voz de Trump, Sean Spicer, acusou as empresas de comunicação de "deliberadamente reportar de forma falsa" sobre o número de participantes da cerimônia de posse para tentar "semear a discórdia" num momento em que Trump estaria tentando unir o país. Ele disse que o governo fará a imprensa prestar contas do que faz. Spicer acrescentou que Trump "atraiu o maior público que já acompanhou uma posse e ponto final. Essas tentativas de diminuir o entusiasmo com a posse são vergonhosas e equivocadas." Spicer, porém, admitiu que ninguém tem números oficiais porque as autoridades locais não fornecem esse tipo de informação. Diversas estimativas afirmam que cerca de 1,8 milhão de pessoas participaram da primeira posse de Obama, em 2009, no mesmo local onde ocorreu a de Trump. Nesta sexta-feira, autoridades de Washington esperavam um público de cerca de 900 mil durante a posse do magnata. AS/ap/afp/rtr

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