Saída dos EUA do TPP abre portas à China

Apesar de originalmente excluir Pequim, autoridades australianas sugerem "potencial para a China se juntar" ao acordo de livre comércio transpacífico. Nova Zelândia, México e Chile também pretendem manter parcerias.Países da Ásia-Pacífico reagiram nesta terça-feira (24/01) à ordem executiva do presidente dos EUA, Donald Trump, de retirar os Estados Unidos da Parceria Transpacífico (TPP, na sigla em inglês). Apesar de originalmente terem excluído Pequim, autoridades australianas sugeriram que agora há "um potencial para a China se juntar" ao acordo de livre comércio. O ministro do Comércio da Austrália, Steve Ciobo, descreveu a decisão de Trump como "uma grande vergonha", mas admitiu também que "não era inesperado". "A Austrália e muitos dos outros países-membros do TPP estão bastante focados em garantir que ainda capturemos os ganhos que foram acordados no âmbito do TPP", disse Ciobo à emissora Sky News. O Conselho de Exportação de Austrália e a Federação dos Produtores de Vinho do país saudaram a decisão de Ciobo de prosseguir com o acordo, apesar da retirada dos EUA. "O TPP é importante demais como motor da criação de mais empregos australianos para não fazermos todo o possível para manter o acordo em vigor", reforçou Ciobo. O ministro do Comércio da Nova Zelândia, Todd McClay, afirmou que seu país continuará buscando cumprir o acordo com os dez países restantes – além da Austrália, Brunei, Canadá, Chile, Japão, Malásia, México, Peru, Cingapura e Vietnã. Ciobo disse que o futuro da parceria pode estar com outras nações asiáticas, incluindo China e Indonésia. "A arquitetura original era permitir que outros países se juntassem", disse Ciobo. "Certamente, sei que a Indonésia manifestou interesse e que haveria espaço para a China caso possamos reformular os termos." O primeiro-ministro da Austrália, Malcolm Turnbull, afirmou posteriormente que "há potencial para a China se juntar ao TPP", enquanto o seu homólogo da Nova Zelândia, Bill English, disse que Pequim "não demorou em identificar a oportunidade". O governo do ex-presidente americano Barack Obama excluiu a China do acordo comercial numa tentativa de estabelecer as regras para o livre comércio na região antes que Pequim pudesse fazê-lo – parte da política de Obama para a Ásia. English disse que a decisão dos EUA de ceder influência na região à China abriria a porta para negócios alternativos. "Nós temos o acordo do RCEP (Parceria Econômica Regional Abrangente, em tradução livre) com o Sudeste Asiático, que até então tem transcorrido de forma lenta, mas podemos encontrar a vontade política para que funcione, caso o TPP não vá prosseguir", disse English. Enquanto isso, México e Chile expressaram seu apoio à busca de acordos de livre comércio com os países restantes da Parceria Transpacífico. PV/rtr/dpa/ap

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