Líderes mundiais reagem à política anti-imigração de Trump

Políticos de vários países, como Alemanha, Reino Unido e Canadá, condenam ordem que suspende entrada nos EUA de refugiados e cidadãos de vários países muçulmanos. Trump defende medida e diz que Europa vive uma "bagunça$escape.getQuote().A ordem executiva do presidente americano Donald Trump, que restringe a entrada de refugiados e cidadãos de países de maioria muçulmana nos Estados Unidos, gerou uma onda de críticas ao longo do fim de semana por parte de vários líderes mundiais, incluindo de países aliados. Neste domingo (29/01), a chanceler federal alemã, Angela Merkel, cujo país abriu as portas para centenas de milhares de refugiados, se pronunciou contra o veto imposto por Trump. Merkel "está convencida de que a luta indispensável contra o terrorismo não justifica que se coloquem pessoas sob suspeita generalizada em função de uma determinada origem ou crença", declarou o porta-voz do governo alemão, Steffen Seibert. Segundo ele, a própria chanceler expressou essa posição perante Trump numa conversa por telefone realizada no sábado entre os dois líderes. Paris e Londres reforçaram os sentimentos de Merkel. "O terrorismo não distingue nacionalidade. Discriminação não é resposta", disse o ministro do Exterior francês, Jean-Marc Ayrault. "É divisório e errado estigmatizar [pessoas] pela nacionalidade", afirmou, por sua vez, o ministro britânico do Exterior, o conservador Boris Johnson, um dos líderes da campanha pelo Brexit. Reino Unido "não concorda" A primeira-ministra britânica, Theresa May, que se reuniu com Trump na Casa Branca na sexta-feira, foi mais polida ao se pronunciar sobre o assunto neste domingo, mas também discordou da decisão. "A política de imigração dos Estados Unidos diz respeito ao governo dos Estados Unidos, tal como a política de imigração do nosso país deve ser estabelecida pelo nosso governo", disse um porta-voz de Downing Street. "Mas não estamos de acordo com este tipo de abordagem e não vamos adotá-la." Também neste domingo, o prefeito de Londres, Sadiq Khan, o primeiro muçulmano a assumir o cargo, tachou de "vergonhosa" e "cruel" a política migratória de Trump. Segundo ele, o decreto prejudica "os valores de liberdade e tolerância sobre os quais os EUA foram construídos". O primeiro-ministro belga, Charles Michel, disse que pedirá "explicações por vias diplomáticas" ao presidente americano, acrescentando que o país está "em desacordo com tal proibição". Sem comentar diretamente o decreto de Trump, o governo do Canadá reforçou sua política de braços abertos aos refugiados, diferenciando-se do país vizinho. "Todos que fogem de perseguições, do terror e da guerra, saibam que os canadenses vão acolhê-los independentemente de sua fé. A diversidade faz nossa força", disse no sábado o primeiro-ministro canadense, Justin Trudeau. Irã e Iraque: medida recíproca aos EUA O governo do Irã, um dos países mais afetados pelo veto, anunciou no sábado a adoção de uma medida de reciprocidade contra os EUA, impedindo a emissão de vistos a cidadãos americanos. O ministro iraniano do Exterior, Mohammad Javad Zarif, disse neste domingo que a ordem de Trump "ficará marcada na história como um grande presente aos extremistas e seus apoiadores". "A discriminação coletiva ajuda o recrutamento de terroristas", completou o político no Twitter. No Iraque, a comissão parlamentar de Relações Exteriores pediu para que o governo adote medidas similares contra os EUA. Um dos deputados da comissão disse à agência Reuters que o país está na linha de frente contra o terrorismo e "é injusto que os iraquianos sejam tratados desta maneira". Trump: Europa vive uma "bagunça" Na sexta-feira, Trump assinou uma ordem executiva que suspende por pelo menos 120 dias a entrada de refugiados em território americano e por tempo indefinido o acesso de todos os migrantes provenientes da Síria, onde a guerra civil já provocou a morte de centenas de milhares de pessoas. O decreto também impôs uma proibição de entrada nos EUA de 90 dias para qualquer cidadão de sete países de maioria muçulmana: Iraque, Irã, Iêmen, Líbia, Somália e Sudão, além da Síria. O objetivo é impedir o acesso ao país de "terroristas islâmicos radicais", justificou o presidente. Segundo o Departamento de Segurança Interna americano, 375 passageiros foram afetados pelo decreto desde a noite de sexta-feira. Do total, 109 estavam em viagem e foram barrados em aeroportos americanos, enquanto 173 foram impedidos de embarcar em voos com destino aos EUA. Neste domingo, numa clara reação às críticas mundiais, Trump defendeu sua política anti-imigração. "Nosso país precisa de fronteiras fortes e um veto extremo imediatamente. Veja o que está acontecendo em toda a Europa e, de fato, no mundo: uma bagunça horrorosa!", disse no Twitter. EK/abr/efe/lusa/rtr/ots

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