Romênia revoga decreto que descriminalizava corrupção leve

Governo volta atrás em decreto que desencadeou os maiores protestos do país desde a queda do comunismo, em 1989. Condenado por líderes mundiais, texto descriminalizava casos de corrupção que envolvessem até 44 mil euros.O governo da Romênia revogou oficialmente neste domingo (05/02), em reunião extraordinária, o polêmico decreto que descriminalizava alguns casos de corrupção. O texto, aprovado às pressas na terça-feira passada, foi condenado por líderes mundiais e levou milhares de manifestantes às ruas. O primeiro-ministro romeno, Sorin Grindeanu, havia antecipado que o governo cancelaria o decreto na noite anterior, em discurso televisionado. "Não queremos dividir a Romênia. Ela não pode se dividir em duas. Meu último desejo é testemunhar isso", declarou, no sábado, o social-democrata. O texto em questão, anunciado pelo governo no dia 31 de janeiro sem passar pelo Parlamento, descriminalizava casos de corrupção que causassem danos ao Estado de até 44 mil euros. Para essas situações, ele previa uma série de procedimentos administrativos e civis para recuperar o dinheiro e punir os responsáveis. Dezenas de políticos acusados de corrupção poderiam se beneficiar com o decreto, incluindo o presidente do Partido Social-Democrata (PSD), Liviu Dragnea, já condenado por fraude eleitoral e confrontado juridicamente com outras acusações. Ele nega qualquer irregularidade. A medida recebeu fortes críticas dentro e fora do país e provocou os maiores protestos na Romênia desde a queda do comunismo, em 1989. Nove potências ocidentais, incluindo Alemanha e Estados Unidos, chegaram a declarar que estavam profundamente preocupadas com a adoção do texto. Mesmo com o anúncio da revogação do decreto, milhares de romenos devem se reunir neste domingo na capital romena, Bucareste, para um sexto dia consecutivo de manifestações. Desde a quarta-feira passada, centenas de milhares de romenos foram às ruas em ao menos 55 cidades do país para pedir a revogação do decreto. No sábado, estima-se que cerca de 330 mil pessoas tenham participado de protestos contra o governo social-democrata, há cerca de um mês no poder. EK/efe/afp/ap/rtr/dpa

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