Populismo ganha força em Liechtenstein

Pequeno país entre a Áustria e a Suíça vê partido populista de direita fundado há apenas quatro anos avançar em eleição legislativa. Legenda antimonarquia também conquista mais assentos no Parlamento.O pequeno Liechtenstein, país de menos de 38 mil habitantes, não conseguiu ficar imune ao avanço do populismo no continente. Na eleição parlamentar deste domingo (05/02), o partido populista de direita Independentes (DU) foi o grande vencedor. Análise: Trump e o populismo na Europa Alemânico: o dialeto falado em Liechtenstein Fundada há apenas quatro anos, a legenda expandiu sua parcela dos votos para 18,4% no pleito deste domingo, conquistando cinco dos apenas 25 assentos do Parlamento. Ao concorrer pela primeira vez, em 2013, o partido havia recebido 15,3% dos votos. Durante a campanha, o Independentes rejeitou a política migratória do governo Angela Merkel e se manifestou contra o financiamento público, com 15 milhões de francos anuais, à Universidade de Liechtenstein, onde, segundo o partido, 90% dos funcionários e alunos são estrangeiros. "É um partido populista que, em várias formas, é comparável a outros partidos de extrema direita na Europa – às vezes xenófobo, ele tende a atacar as elites políticas, seu estilo é de confrontação", disse ao site da revista Politico o cientista político Wouter Veenendaal. Na corrida eleitoral deste ano, o Independentes apostou na crítica aos dois principais partidos de governo – Partido dos Cidadãos Progressistas (FBP) e União Patriótica (VU) – acusando-os de dividirem Liechtenstein entre si. O conservador FBP, do primeiro-ministro Adrian Hasler, perdeu quase cinco pontos percentuais, recebendo 35,2% dos votos. A legenda passará a ocupar nove, em vez de dez, assentos do Parlamento. O apoio à União Patriótica, parceira de coalizão do FBP, permaneceu praticamente inalterado, com 33,7% dos votos e oito assentos. O ambientalista de esquerda Lista Livre, contrário à monarquia, também saltou 1,5 ponto percentual, para 12,6%, mantendo seus três assentos. Apesar de a maioria no Parlamento continuar nas mãos do FBP e DU, os ganhos do DU e da Lista Livre chamaram a atenção no pleito. Monarquia com poder político e econômico Independentemente dos resultados das eleições parlamentares, a família real de Liechtenstein é quem exerce autoridade suprema no país. O príncipe regente Alois tem o poder de suspender o Parlamento e demitir o governo e pode vetar leis. O poder político da família real de Liechtenstein se apoia sobre sua fortuna. Ela é proprietária do LGT, o maior banco familiar privado do mundo. A instituição administra ativos que totalizam 143 bilhões de francos suíços (144 bilhões de dólares). O pequeno principado de 160 quilômetros quadrados, espremido entre a Suíça e a Áustria, era antes conhecido como um paraíso fiscal para bilionários. Até que o país foi obrigado a rever suas leis de sigilo bancário, em 2009, por pressão dos EUA e da União Europeia. LPF/afp/dw/ots

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